terça-feira, 12 de maio de 2009

Criando filhos para a glória de Deus

Criando filhos para a glória de Deus

Sua família é o maior patrimônio que você possui. Bens, diplomas e sucesso profissional perdem o significado para você sem a felicidade de sua família. Não podemos construir nossa felicidade sobre os escombros da nossa família. É triste perceber que muitas pessoas alcançam grandes vitórias no mundo, nos negócios, na profissão, nos estudos, mas amargam derrotas fragorosas dentro de casa. E o mais terrível desse quadro assustador é que, muitas vezes, o preço que se paga para ser bem-sucedido é abrir mão da família. O preço que se paga para ganhar mais é investir mais tempo no trabalho e dedicar menos tempo para a família.
Em nome do sucesso, muitos pais negligenciam a maior de todas as conquistas – ter uma família feliz. É consensual o fato de desejarmos que nossos filhos cresçam para a glória de Deus. Todo pai e toda mãe deseja ardentemente que seus filhos alcem vôos mais altos do que eles. Os pais desejam ver os filhos numa condição financeira mais abastada do que eles. Isso acontece porque os pais não desejam que seus filhos passem pelas mesmas privações que eles passaram. Por isso, o pai está disposto a pagar o dinheiro que for para garantir que o filho tenha a melhor educação. Por isso, há pais que dão tudo para seus filhos porque quando eram crianças não tinham nada.
É exatamente nessa perspectiva que vale a pena repensar o modelo sobre o qual estamos fundamentando a criação de nossos filhos. A Psicologia, a Pedagogia e tantas outras ciências possuem propostas inovadoras quanto a criação de filhos. Entretanto, nenhuma delas objetivam criar essas crianças com princípios espirituais. Conta-se a história de um homem que tinha cinco teorias diferentes para a criação de filhos. Contudo, ele não tinha nenhum filho. Ao passar do tempo, esse homem teve cinco filhos e depois descobriu que não tinha nenhuma teoria. Essa história ilustra bem a minha realidade, pois, ainda não tenho filhos. Entretanto, o que venho propor não é uma mera teoria. Não trata-se de mais um experimento dentre tantos outros sugeridos por psicólogos, pedagogos ou educadores. O que venho apresentar é mais que uma teoria. Refiro-me a PRINCÍPIOS que são estabelecidos pela Palavra de Deus.
O Deus da Bíblia é um Deus família. Basta olhar para a história da redenção e você perceberá que as alianças constituídas no Antigo Testamento eram alianças familiares. Não apenas o indivíduo era alvo da aliança, mas, por conseguinte, toda a sua família era incluída no pacto. No Éden, Deus fez uma aliança com Adão e Eva (a primeira família). No dilúvio, Deus não apenas salvou o justo Noé, mas, juntamente com ele, toda a sua família (Gn 6:18). Ao entrar em aliança com Abraão, Deus disse: “Estabelecerei a minha aliança entre mim e ti e a tua descendência no decurso das suas gerações, aliança perpétua, para ser o teu Deus e da tua descendência (Gn 17:7).
Assim sendo, uma primeira consideração deve ser feita. Nossos filhos pertencem ao SENHOR. Embora o seu filho não saiba, ou mesmo sabendo diga não ser do SENHOR, assim mesmo ele é. A Bíblia chama os filhos de herança do SENHOR (Sl 127:3). O apóstolo Paulo diz que os nossos filhos são santos (1 Co 7:14). Eles são herdeiros da promessa (At 2:39).
Gostaria, ainda, de fazer menção da nossa saudosa irmã Ana Maria, esposa do pastor Jeremias Pereira, que sempre afirmava com muita veemência nos congressos do Desperta Débora: “Nós não criamos filhos para povoarem o inferno. Criamos filhos para serem cheios do Espírito Santo de Deus!”. Essa deve ser a perspectiva sobre a qual todo pai deve criar seu filho. Os pais devem pedir graça, orientação e sabedoria para criarem seus filhos a fim de que eles sejam instrumentos da glória de Deus. Portanto, se desejamos criar filhos para a glória de Deus, seguem abaixo alguns princípios bíblicos que devem nortear a criação dos mesmos.

1 – Ensinando-o no caminho do SENHOR
“Ensina a criança no caminho em que deve andar e ainda quando for velho não se desviará dele”. (Prov. 22:6)
O texto de Provérbios é um texto basilar para a criação de filhos. Entretanto, há algo muito precioso nesta passagem que merece nossa atenção. A ordenança dada pelo autor sacro não é para ensinar o caminho, mas sim ensinar no caminho. Essa diferenciação é muito importante, pois quem ensina o caminho apenas aponta para o destino a ser percorrido, não se comprometendo a caminhar junto. Trata-se mais de um ensino à distância, meramente intelectual e informativo. Contudo, aquele que ensina no caminho também está percorrendo junto o trajeto, ou seja, além de mostrar qual caminho, o educador está comprometido em caminhar junto ao educando. Não trata-se de um ensino puramente informativo, mas, sobretudo, vivencial.
Isso nos leva a considerar alguns postulados muito importantes na criação de filhos:
· Ensinar é muito mais do que levar a criança para a Igreja. O grande pregador norte-americano Billy Graham disse: “Ir à Igreja não fará de você um cristão, assim como dormir na garagem não vai fazer de você um carro”.
· Ensinar é muito mais do que falar sobre Deus. Como você vai falar acerca de quem você não conhece. Como mostrará para o seu filho que Deus é bom se você jamais experimentou a bondade de Deus em sua vida.

Os puritanos do século XVII tinham uma prática muito interessante. Quando notavam que uma determinada criança não estava crescendo no conhecimento das Escrituras, eles disciplinavam os pais por entenderem que os pais eram os responsáveis pela ignorância da criança acerca do conhecimento de Deus. Imagine quantos pais seriam disciplinados se a Igreja contemporânea resolvesse adotar tal medida.
A palavra hebraica traduzida como ensino é chinuch. Significa muito mais do que simplesmente educação no sentido de dar à criança fatos e números a serem assimilados. Chinuch significa moldar o caráter da criança e guiá-la, passo a passo, pelos caminhos que a ajudarão a torná-la uma pessoa íntegra e um bom judeu em sua totalidade.

Os comentaristas bíblicos afirmam que Jesus se utilizava do método peripatético de ensino. A palavra peripatético é uma palavra grega que significa “ambulante”, “itinerante”, ou mesmo “aqueles que passeiam”. O método peripatético pode ser assim definido: “Ensinar enquanto se caminha junto”. Trata-se de um ensino que é fruto de um relacionamento. É a arte de ensinar ao ar livre. Na época de Jesus se alguém desejasse se tornar aluno de algum mestre em Israel, tal pessoa deveria estar disposta a seguir seu mestre. Pois, a medida que o mestre caminhava ele ia ensinando. Portanto, o ensino proposto por Jesus é muito diferente da idéia que concebemos de aprendizagem. O ensino de Jesus não está limitado a prescrições frias, mas a um estilo de vida. O preceito acima já estava contemplado na Lei de Moisés. Senão, vejamos: “Estas palavras que, hoje, te ordeno estarão no teu coração; tu as inculcarás a teus filhos, e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e ao deitar-te, e ao levantar-te. Também as atarás como sinal na tua mão, e te serão por frontal entre os olhos. E as escreverás nos umbrais de tua casa e nas tuas portas” (Dt. 6:6-9, grifo meu).
Outro aspecto que merece nossa atenção é: só se ensina aquilo que se sabe. Logo, se o Pai não conhece as Escrituras, como ensinará o seu filho acerca do Reino de Deus? Assim sendo, o pai deve ser um profundo conhecedor das Escrituras a fim de transmitir ao seu filho o conhecimento de Deus.

2 – Sendo um modelo
Aqui reside um outro perigo. O perigo de conhecer, ensinar, mas não viver nada daquilo que se ensina. O pai é um espelho psicológico que o filho usa para construir sua própria identidade. A Psicologia já desvendou alguns mistérios que cercam a nossa formação. Afirma os psicólogos que o caráter e a personalidade da criança vão sendo formada a partir das suas relações familiares. Assim sendo, a família é a base para o desenvolvimento saudável da criança.
Há ainda que se considerar que a criança, no processo de construção da sua psique, não tem capacidade de conceber aquilo que é abstrato. Por isso, ela dificilmente vai conseguir entender a idéia de um Deus invisível. Por isso, nós criamos links para que as crianças comecem a entender quem é Deus e o que Ele faz. Sabe qual é a primeira figura que associamos a Deus? A criança aprende, primeiramente, que Deus é o “Papai do Céu”. Assim, o pai torna-se a referência para que a criança aprenda sobre Deus. Se o pai é um homem agressivo, punitivo e autoritário, qual será a concepção que essa criança terá de Deus? Se o pai for um alguém sem caráter, mentiroso, que não cumpre com suas promessas, possivelmente, será essa a associação que a criança fará com o “Papai do Céu”. Seu filho aprenderá sobre Deus observando você!
Há alguns anos venho trabalhando na Igreja, especificamente, com jovens e adolescentes. Um dia conversando com uma jovem, fui surpreendido com um a resposta que obtive ao fazer-lhe uma pergunta. Ao ser indagada sobre sua expectativa acerca do casamento, ela respondeu: “Casar para quê? Para ser infeliz igual a meus pais?”. Aquela jovem via o casamento como uma frustração porque o relacionamento dos seus pais era um péssimo exemplo de convivência familiar. Ensinar é mais do que transmitir conhecimento. É preciso estabelecer um ensino baseado não apenas no discurso, mas num modelo de vida. Ensinamos mais com a vida do que com as palavras. Alguém já disse que as palavras ensinam, mas o exemplo arrasta.
O maior e o mais poderoso método de ensino é o exemplo. Jesus ensinava através do exemplo (Jo 13:15). Jesus nunca pediu aos seus discípulos que fizessem algo que Ele mesmo não tivesse feito. Jesus nunca pediu aos seus discípulos que vivessem algo que ele mesmo não tivesse vivido. O apóstolo Paulo também compreendeu essa verdade ao afirmar: “sede meus imitadores como eu sou de Cristo” (1 Co 11:1). A grande queixa de Jesus contra os fariseus era o seu estilo de vida hipócrita. Disse Jesus: “Na cadeira de Moisés se assentaram os escribas e os fariseus. Fazei e guardai, pois, tudo quanto eles vos disserem, porém não os imiteis nas suas obras; porque dizem e não fazem” (Mt 23:2, 3, grifo meu). Somente neste capítulo (Mateus 23) Jesus chama sete vezes os escribas e fariseus de hipócritas. A palavra hipócrita remonta o período da Grécia Antiga, onde alguns artistas faziam encenações artísticas de peças teatrais. Assim, o artista na Grécia era chamado de hipócrita, pois sua função era representar alguém que ele não era. E, para desenvolver seu papel, usava máscaras diante da platéia. Ao fazer uso dessa palavra Jesus está afirmando que os fariseus viviam uma vida de encenação, pois representavam ser aquilo que, realmente, não eram. Usavam máscaras e arquétipos, mas os seus corações eram corruptos e malignos. Eram artistas.
Eugene Peterson, em seu livro Um Pastor segundo o Coração de Deus, também faz coro às palavras de Jesus denunciando os pastores da pós-modernidade:
"Não conheço outra profissão em que seja tão fácil fingir como a nossa. Existem comportamentos que podemos adotar para sermos considerados, sem nenhum questionamento, conhecedores de mistérios: ter um porte reverente, cultivar uma voz empostada, introduzir em nossas conversas e palestras palavras eruditas em quantidade suficiente apenas para convencer os outros de que nosso treino mental está um pouco acima do que o da congregação"[1].
É preciso resgatar a integralidade da mensagem, onde o discurso e a vida se coadunem. Jesus nos mostra que o exemplo é a única base do verdadeiro discipulado. É vendo você orar que seu filho aprenderá a orar. É vendo você lendo as Escrituras que seu filho aprenderá a importância da Palavra de Deus. É percebendo a sua comunhão e intimidade com Deus que seu filho aprenderá a amar, temer e reverenciar o SENHOR. Você é um espelho para o seu filho e sua imagem será refletida nele.

3 – Disciplinando-o no temor do SENHOR

A disciplina é uma orientação bíblica. A Bíblia afirma que o próprio Deus “corrige a quem ama e açoita a todo filho a quem recebe” (Hb 12:6). O autor de Hebreus continua: “É para a disciplina que perseverais (Deus vos trata como filhos); pois que filho há que o pai não corrige? Mas, se estais sem correção, de que todos se tem tornado participantes, logo, sois bastardos e não filhos” (Hb 12:7-8). Deus é o maior exemplo de pai e, por conseguinte, o maior paradigma de educador. Na pedagogia de Deus um dos princípios para a educação é a disciplina.
Uma das maiores dificuldades que os pais enfrentam é disciplinar seus filhos. Dizer não tornou-se uma dura tarefa para muitos pais. Ninguém gosta de receber um “NÃO” como resposta. Essa é exatamente a típica resposta que nos contraria. Isso porque se trata de uma negativa quanto à realização de nossos anseios e aspirações. Assim, sempre que pedimos algo, esperamos receber um “SIM”, para que tenhamos nossas vontades saciadas. Entretanto, nem sempre temos aquilo que queremos. Nem sempre recebemos aquilo que pedimos. Nem sempre conquistamos aquilo que tanto sonhamos. É mister aprendermos a receber “NÃO”. E, no que tange à criação de filhos, é importante que o pai saiba dizer “NÃO” ao seu filho.
Imagine se para tudo que teu filho te pedisse você dissesse “Sim!”. Seria trágica a educação de seus filhos. Essa criança cresceria sem limites. E, se há uma crise instituída na nossa sociedade é ausência de limites. A Psicologia afirma que o “Não!” protege, ensina e prepara. Imagine se você permitisse ele comer doces e guloseimas sempre que ele deseja. Por que, em determinadas ocasiões, você diz “NÃO” ao seu filho? Simplesmente porque sua saúde seria comprometida. Ele não sabe o que é melhor para ele, mas você, como pai ou mãe, sabe exatamente do que seu filho precisa. Por isso, você dá a ele, inclusive, aquilo que ele não deseja, como verduras e legumes. O próprio Deus não nos concede tudo aquilo que pedimos. Deus é Pai por excelência. E, como um bom Educador, Ele diz “NÃO” a muitas solicitações que lhe fazemos. Apenas para que você tenha uma idéia do que estamos falando, uma pesquisa exaustiva nas Escrituras registrou que a palavra SIM está registrada 462 vezes na bíblia enquanto a palavra NÃO tem 8.409 registros. Portanto, aprenda a dizer “NÃO”para o seu filho.
O livro de Provérbios traz inúmeras afirmações que corroboram para o bem que a disciplina promove na criação de filhos. Senão, vejamos:
“Corrige o teu filho, e te dará descanso, dará delícias à tua alma” (Pv 29:17).
“O que retém a vara aborrece a seu filho, mas o que o ama, cedo, o disciplina” (Pv 13:24).
“Castiga o teu filho, enquanto há esperança, mas não te excedas a ponto de matá-lo” (Pv. 19:18).
“A estultícia está ligada ao coração da criança, mas a vara da disciplina a afastará dela” (Pv 22:15).
“Não retires da criança a disciplina” (Pv 23:13a).
“A vara e a disciplina dão sabedoria, mas a criança entregue a si mesma vem a envergonhar a sua mãe” (Pv 29:15).

Os filhos precisam de limites e os pais desempenham o papel de impô-los. A Bíblia está repleta de exemplos de famílias que foram destruídas porque os pais não disciplinaram seus filhos. Deus destruiu a casa de Eli porque este sacerdote não disciplinou os seus filhos (1 Sm 3:13). O grande rei Davi, um homem segundo o coração de Deus, se deparou com a morte de seus filhos porque não os repreendeu (2 Sm 13 e 2 Sm 18).
É importante estabelecer uma distinção entre disciplina e castigo. Castigo provém do latim castus, que significa puro, casto, e está correlacionado com a castidade. Assim, o castigo era uma punição rigorosa que se impunha sobre aquele que desejava viver uma vida pura. Portanto, o castigo não tem uma função meramente punitiva, mas serve a um propósito maior que é aperfeiçoar aquele a quem se submete o castigo. Já a disciplina está intimamente ligada a um estilo de vida pautada em princípios de ordem, obediência e reverência. Esses dois elementos devem estar presentes na criação de nossos filhos. A disciplina é um ato de amor e o pai que negligencia este instituto ao seu filho lhe causará grandes danos no futuro. O Rev. Hernandes Dias Lopes afirmou: “Se o nosso cristianismo não é capaz de mudar o nosso relacionamento com nossa família, ele está falido” .

4 - Seja um intercessor do seu filho

Sempre haverá esperança para família onde houver uma mãe que ora. Sempre haverá esperança para a família onde houver um pai comprometido em interceder por seus filhos. Antes de falar de Deus para nossos filhos, precisamos falar de nossos filhos para Deus.
Jó era um pai exemplar nessa matéria. Diz a Bíblia que “Decorrido o turno de dias de seus banquetes, chamava Jó a seus filhos e os santificava; levantava-se de madrugada e oferecia holocaustos segundo o número de todos eles, pois dizia: Talvez tenham pecado os meus filhos e blasfemado contra Deus em seu coração. Assim fazia Jó continuamente” (Jó 1:5, grifos meu). Algumas considerações devem ser feitas. Primeiramente, o texto registra que Jó “chamava seus filhos e os santificava”. Perceba a diferença que faz a liderança espiritual do pai dentro de casa. Isso é um pai de verdade, no sentido estrito da palavra. Jó estava preocupado não apenas com educação de seus filhos; não apenas com a provisão de seus filhos; mas, sobretudo, profundamente preocupado com a vida espiritual de seus filhos. Antes de preocupar-se com a escola do seu filho, que faculdade ele vai fazer, em que área ele vai trabalhar, preocupe-se em ter um filho santo. Faça como Jó: CHAME O SEU FILHO e o SANTIFIQUE. Coloque suas mãos sobre a cabeça dele e consagre-o ao SENHOR.
Em segundo lugar, diz o texto que Jó “levantava-se de madrugada” com o propósito de colocar os seus filhos diante do altar. Eis aqui a figura de um pai intercessor. Qual foi a última vez que você orou por seus filhos de madrugada? Jó, além de ter um momento de oração com os filhos, tinha também um momento secreto onde ele, sozinho, apresentava seus filhos a Deus. O texto ainda registra que “oferecia holocaustos segundo o número de todos eles”, ou seja, não havia um filho sequer que Jó deixasse de orar. Não havia predileções. Jó não ponderava se este filho dava mais trabalho do que aquele ou se aquele outro era mais bonzinho e obediente que o primeiro. Definitivamente, não havia este espírito no coração de Jó. Diz o texto que ele apresentava seus filhos individualmente a Deus.
Em terceiro lugar, podemos destacar a regularidade com que Jó fazia isso. A palavra empregada pelo autor sacro é “continuamente”, dando a idéia de uma prática freqüente e ininterrupta. Jó sempre apresentava seus filhos diante do altar do Senhor. Não desista nunca de orar para o seu filho. Se ele está no mundo ore por ele; se ele já é um servo do SENHOR, continue orando por ele. Ore sempre. Os seus filhos devem ser o primeiro item da sua lista de oração.

Conclusão
Deus lhe deu uma grande tarefa – a incumbência de criar seus filhos para a glória dEle. Portanto, para lograr êxito, você precisa lançar mão de todos os meios e recursos disponíveis. Dedicar o melhor do seu tempo. Gastar horas em oração, aconselhamento e convivência com os seus filhos. Investir seus melhores momentos na formação do caráter dos seus descendentes. Deus é o paradigma de pai para todos nós. E Ele nos deixou um manual para a criação de filho – a Bíblia Sagrada. Portanto, todos os princípios necessários para uma boa educação estão registrados na Escritura. Torne-se um conhecedor da Palavra para que, através dela, você obtenha sabedoria necessária para transmitir a fé aos seus filhos.
O salmista registra: “O que ouvimos e aprendemos, o que nos contaram nossos pais, não o encobriremos a seus filhos; contaremos à vindoura geração os louvores do SENHOR, e o seu poder, e as maravilhas que fez. Ele estabeleceu um testemunho em Jacó, e instituiu uma lei em Israel, e ordenou a nossos pais que os transmitissem a seus filhos, a fim de que a nova geração os conhecesse, filhos que ainda hão de nascer se levantassem e por sua vez os referissem aos seus descendentes; para que pusessem em Deus a sua confiança e não se esquecessem dos feitos de Deus, mas lhes observassem os mandamentos” (Sl 78:3-7). O pai tem a responsabilidade de transmitir ao seu filho a herança da fé.
Se você fracassar como presbítero fique tranqüilo, a obra de Deus não vai parar, Deus levantará outros para substituir você. Se você fracassar como diácono fique tranqüilo, a obra de Deus vai continuar porque Deus levantará outro para substituir você. Se você fracassar como líder de qualquer departamento da Igreja, a obra vai continuar porque Deus levantará outro para ocupar o seu lugar. Mas se você fracassar como pai, não há ninguém que Deus possa colocar no seu lugar. Essa é uma tarefa exclusivamente sua. Ninguém pode te substituir como pai, como esposo e como líder espiritual da sua casa. Se você fracassar como pai, toda a sua família estará comprometida.

[1] PETERSON, Eugene. Um Pastor Segundo o Coração de Deus: a forma da integridade pastoral. Traduzido por Cláudia Moraes Ziller – Rio de Janeiro: Textus, 2000, p. 5.

2 comentários:

  1. Ola!

    Navegando daqui para ali, achei seu blog. Vou aproveitar e vou segui-lo. Estou divulgando o meu, o Genizah. Quando tiver um tempinho, faça uma visita!

    A Paz do Senhor!

    Danilo

    http://genizah-virtual.blogspot.com/

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  2. Felicitou quem escreveu e que traduziu. Excelente Mensagem.Valeu. Ap. Rogério Justino - Recife PE

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