quinta-feira, 1 de abril de 2010

Um Evangelho para todos

Um Evangelho para todos
Lucas 18:35-43; 19:1-10
O Evangelho é uma mensagem universal. Não pertence a um grupo seleto de pessoas. Não é uma herança étnica ou cultural. Conquanto o Evangelho tenha suas raízes na nação de Israel, o propósito de Deus nunca foi que a mensagem das boas-novas da salvação ficasse enclausurada a um povo. Quando Deus chamou o patriarca Abraão, deixou claro que sua intenção era, a partir dele, abençoar todas as famílias da Terra, como segue a narrativa do texto sagrado: “Em ti serão benditas todas as famílias da Terra” (Gn 12:3). O apóstolo Paulo confirmou a Timóteo que o SENHOR “deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade” (1 Tm 2:4).
A passagem em questão nos remete a dois eventos que aconteceram na mesma cidade. Trata-se de dois homens que residiam em Jericó: Bartimeu e Zaqueu. Um, Jesus encontrou na entrada da cidade (Lc 18:35); o outro, Jesus encontrou no centro da cidade (Lc 19:1). Bartimeu era um homem pobre, mendigo e cego. Zaqueu era um homem rico, abastado, funcionário público (publicano, fiscal da receita). Enquanto Bartimeu vivia do lado de fora da cidade, Zaqueu vivia luxuosamente na parte mais requintada de Jericó.
Bartimeu era um homem muito conhecido em Jericó por causa do seu infortúnio. Zaqueu era conhecido em Jerico por sua riqueza. Dois homens completamente diferentes, mas com muita coisa em comum. Ambos carentes da graça de Deus. Bartimeu vive à margem da sociedade. É um homem infeliz por causa de sua condição de miserabilidade. Zaqueu pertence às mais altas camadas da sociedade. Um homem que fez fortuna, fez riqueza, mas alguém, igualmente, infeliz. Em suma: um é triste em sua pobreza; o outro é triste mesmo apesar da sua riqueza.
Zaqueu e Bartimeu representam um protótipo da sociedade pós-moderna. Tipificam o paradoxo e a discrepância social. Uma mesma cidade abriga ricos e pobres. A pobreza e a riqueza convivem lado a lado; onde a riqueza, que se concentra nas mãos de um grupo pequeno, é construída a partir da pobreza de uma maioria. Bartimeu tipifica a figura do explorado e Zaqueu do explorador. Bartimeu simboliza o oprimido e Zaque o opressor. Esses personagens são engrenagens de uma mesma máquina social. Encontramos aqui a gênese do capitalismo.
Outra semelhança entre esses dois homens diz respeito ao encontro que ambos tiveram com Jesus e nos dois casos a multidão aparece como um obstáculo para ambos (18:39; 19:3). Contudo, esse acontecimento na cidade de Jericó marca a vida desses homens. A partir da experiência de Bartimeu e Zaqueu, vemos que as portas do Evangelho estão abertas para todos os homens.

1 – Ambos, independentemente de sua condição, carecem de Deus (18:38; 19:4).

A Bíblia confirma que Bartimeu se utilizava de uma capa no seu trabalho de mendicância. Os biblistas afirmam que aquela capa lhe fora dada pelas autoridades romanas e funcionava como uma espécie de licença para esmolar. Em outras palavras, Bartimeu é um pedinte regulamentado pelo Estado – uma política social sectária. Por outro lado, Zaqueu era maioral dos publicanos. Colhia os dividendos da injustiça social. Sua riqueza era sustentada a partir da pobreza de outros.
Do ponto de vista social estes homens são completamente diferentes. Do ponto de vista espiritual a situação deles é idêntica. Em termos de salvação não há nada que seu dinheiro passa fazer por você! Um é pobre e está perdido. O outro é rico e está igualmente perdido.
Todos Necessitam da graça de Deus. Se você é rico, está perdido! Se você é pobre, está perdido! Alguém já disse que existe um lugar onde somos todos iguais: no caixão. A morte é implacável e não respeita condição social. Absolutamente todos terão que enfrentá-la e, portanto, carecemos da graça de Deus.

2 – Ambos recebem de Jesus a mesma atenção (18:40; 19:5)

Vivemos em uma sociedade onde você vale aquilo que você tem. Você vale o carro que possui. A maneira como você se veste determinará a maneira como as pessoas tratarão você. Entretanto, esse não é o tratamento que Jesus dava às pessoas. A mesma atenção dada ao rico foi dada ao pobre. Jesus não tem predileções. O tratamento de Deus é igual para todos. Nos dois casos, Jesus está caminhando com uma multidão de discípulos. E, em ambos os casos, Jesus pára para atender os dois homens.

3 – Ambos são curados (18:41,42; 19:8)

Bartimeu é curado de uma enfermidade física – cegueira.
Zaqueu é curado de uma enfermidade espiritual – avareza.



4 – Ambos são salvos (18:43; 19:9)

O texto sagrado deixa duas informações preciosas que apontam para a conversão destes dois homens. Quanto a Bartimeu, a bíblia diz: “Imediatamente, tornou a ver e seguia-o glorificando a Deus” (18:43, grifo meu). Aquele que antes estava à beira do caminho agora encontra-se no Caminho. Semelhantemente, a Escritura registra a confissão de fé de Zaqueu: “SENHOR, resolvo dar aos pobres a metade dos meus bens; e, se nalguma cousa tenho defraudado alguém, restituo quatro vezes mais” (19:8). O evangelista Lucas registra que, diante de tão grande prova de conversão, Jesus exclama: “Hoje, houve salvação nesta casa” (19:9).

CONCLUSÃO
A presença de Jesus na cidade de Jericó tem um significado histórico e espiritual. A cidade de Jericó foi a primeira grande cidade a ser destruída e conquistada por Josué na tomada da Terra Prometida. Havia uma grande muralha que protegia aquela cidade de seus inimigos. Quando as muralhas, milagrosamente, vieram a baixo, Josué pronunciou uma maldição: “Maldito diante do SENHOR seja o homem que levantar e reedificar esta cidade de Jericó: com a perda do seu primogênito a fundará, e com a perda do seu filho mais novo lhe colocará as portas” (Js 6:26).
Contudo, não atendendo à Palavra de Deus, durante o reinado do perverso rei Acabe, Jericó foi reconstruída (I Reis 16:34). A reconstrução da cidade aconteceu com o consentimento do rei através de Hiel. Conforme a palavra de Josué, ao lançar os fundamentos da cidade perdeu seu primogênito, e, quando assentou as portas, perdeu seu filho caçula.
Este fato é importantíssimo de ser considerado. O muro simboliza a separação. Portanto, quando Jesus dirigi-se à cidade de Jericó, ele atende a Bartimeu que está fora dos muros e a Zaqueu que está dentro dos muros. Pois em Cristo, os muros simplesmente não existem.
Antes de Cristo havia uma separação entre Deus e o homem, e entre o homem e seu próximo. A construção daquele muro custou morte do primogênito de Hiel. A derrubada dos muros que nos separavam de Deus e de nossos semelhantes custou a vida do Unigênito Filho de Deus. O apóstolo Paulo confirma essa verdade, ao afirmar: “Mas, agora, em Cristo, Jesus, vós, que antes estáveis longe, fostes aproximados pelo sangue de Cristo. Porque ele é a nossa paz, o qual de ambos fez um; e, tendo derribado a parede da separação que estava no meio, a inimizade, aboliu, na sua carne, a lei dos mandamentos na forma de ordenanças, para que dos dois criasse, em si mesmo, um novo homem, fazendo a paz, e reconciliasse ambos em um só corpo com Deus, por intermédio da cruz, destruindo por ela a inimizade. E, vindo, evangelizou paz a vós outros que estáveis longe e paz também aos que estavam perto; porque, por ele, ambos temos acesso ao Pai em um Espírito” (Ef. 2:13-18, grifo meu).
Sendo assim, em Cristo, todos os muros ruíram. O véu do templo se rasgou. Já não há mais nenhum obstáculo que nos impeça a entrarmos na presença de Jesus.
Rev. Daniel Sampaio Mota

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