terça-feira, 20 de outubro de 2009

Como vencer a ansiedade

Como vencer a ansiedade
Filipenses 4:4-13

INTRODUÇÃO
Ansiedade é a doença do século. A ansiedade atinge ricos e pobres, doutores e analfabetos, crianças e idosos, crentes e incrédulos. Muitas pessoas estão acorrentadas pela ansiedade. A ansiedade rouba a nossa paz, furta a nossa confiança em Deus e embaça os nossos olhos espirituais.
Sigmund Freud, pai da Psicanálise, afirma que a ansiedade é mãe de todas as neuroses. Segundo o dicionário Aurélio, ansiedade significa: “Estado afetivo em que há o sentimento de insegurança”. Ansiedade é sofrer por antecipação. Originalmente, no grego, a palavra Ansiedade significa ESTRANGULAMENTO, apertar o pescoço, sufocar e tirar o oxigênio.
Os psicólogos e conselheiros cristãos falam da ansiedade como um dos problemas mais urgentes de nossos dias. É a emoção oficial de nossa época (COLLINS, 1984, p. 51). Ilustração: a mulher que arrancou dois seios com medo de desenvolver câncer de mama.
A ansiedade é fruto direto da preocupação (pré-ocupação: é preocupar-se antes do problema chegar). Está ligado com nossos dilemas frente a um futuro incerto. Jovens e adolescentes vivem um quadro crônico de ansiedade diante de decisões a serem tomadas: Vestibular, concurso público, casamento, etc.
O maior perigo da ansiedade é a precipitação. Hoje, o maior conflito existente no Oriente Médio (guerra entre árabes e judeus) é o desdobramento direto de uma decisão que foi tomada precipitadamente por um coração tomado pela ansiedade. Abraão havia recebido de Deus uma promessa que seria pai de uma grande nação. Contudo, diante da aparente demora no cumprimento da promessa, ele e sua esposa, Sara, resolveram alugar a barriga da criada Hagar. Abraão deitou-se com Hagar e esta veio a conceber Ismael (pai do povo árabe). Depois Deus cumpriu sua promessa visitando o casal Abraão e Sara, dando-lhes um filho legítimo, Isaque.
Diante de um quadro de ansiedade aguda, os psicólogos receitam ansiolíticos. São remédios cujo objetivo é diminuir o grau da ansiedade. Nesta noite você será medicado, entretanto, o seu receituário, o seu ansiolítico está expresso não em uma bula de remédios ou numa prescrição médica. Hoje você aprenderá a vencer a ansiedade a partir de uma reflexão da Palavra de Deus.

Qual o remédio para a ansiedade?
Como Paulo nos aconselha a vencer a ansiedade?
Ele não diz assim: “Parem de se preocupar”. Ele não diz isso pela simples razão que é inútil dizer a uma pessoa nessa condição que pare de se preocupar. Seria como dizer a uma pessoa que tem uma dívida muito alta e simplesmente não tem como pagar: “Fique tranquila!”. A pessoa iria responder: ‘Você está me mandando ficar tranqüila porque não é você que está devendo!”. Seria como dizer a um alcoólatra inveterado que pare de beber. Ele simplesmente não consegue, porque é prisioneiro desse vício.
Temos aqui o que podemos chamar de uma Psicologia bíblica.

1 – Orar (v. 6)
Paulo usa três expressões que retratam a oração, sendo elas:
  • Oração – Originalmente tem um sentido de adoração e louvor. Antes de pedir qualquer coisa para Deus, ore, louve e adore. Entre na presença de Deus, na Sala do Trono, no Santo dos santos. Tome consciência da grandeza de Deus, da presença do SENHOR, da Sua majestade.
  • Súplica – Somente depois de adorar e louvar, apresentamos a Ele nossa súplica. Aqui, apresenta-se diante de Deus questões particulares e específicas.
  • Ações de Graça – Aqui existe uma diferença substancial entre Ações de Graça e Adoração. Nós adoramos a Deus pelo que Ele é, e damos graças pelo que Ele faz. Portanto, o convite do apóstolo Paulo é agradecermos a Deus por aquilo que Ele já realizou na nossa vida.

Quando agimos assim, a Bíblia diz que “a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará o vosso coração e a vossa mente em Cristo Jesus” (v. 7). A expressão “guardará o vosso coração” remete a um conceito militar. Literalmente, significa, “porá um guarda ou sentinela no vosso coração”. Paulo diz que a ansiedade dá lugar à paz de Deus.


2 – Trocar a preocupação pela meditação (v. 8)

O apóstolo Paulo nos convida a trocarmos pensamentos que nos afligem por pensamentos que alimentam a nossa fé. Ele nos convida a meditar naquilo que apazigua o nosso coração.

O Salmo 3 e 4 foram compostos por Davi quando ele passou as maiores tribulações da sua vida. No Salmo 3 ele estava no deserto fugindo do seu próprio filho. No Salmo 4 ele também estava no deserto, mas, desta vez, fugindo de Saul. O que me chama a atenção nestes dois salmos é repetição de um versículo: “Deito-me e pego no sono” (Sl 3:5) e “Em paz me deito e logo pego no sono” (Sl 4:8). Daí surge a seguinte ponderação: numa situação como esta todos nós seríamos capazes de deitar, mas pouquíssimos conseguiriam dormir. Isso porque o nosso corpo repousa, mas nosso coração e nossa mente simplesmente não desliga. Como alguém que está vivendo debaixo de tanto opressão e perseguição consegue deitar e logo dormir? Somente alguém cuja fé está alicerçada na fidelidade de Deus. Alguém que não é dominado pela ansiedade, mas está com o coração confiante no SENHOR.


3 – Praticar o ensino da Palavra de Deus (v. 9)

Não devemos ficar apenas na contemplação, mas, antes, fazer com que os conceitos se tornem uma prática do nosso dia-a-dia. A grande verdade é que nossa fé é puramente conceitual. Nós professamos crer em Deus, mas na prática agimos como se não crêssemos. O perigo de muitos pastores e teólogos, segundo Lloyd-Jones, é passar tempo demais lendo a respeito dEle e se esquecendo de se relacionar com Ele[1].

Há uma verdade que precisamos aprender desesperadamente: “Deus cuida de nós!”. Deixa Deus cuidar da sua vida! Lutero tinha uma expressão que parecia um tanto quanto redundante, mas que carrega uma força bombástica. Dizia o reformador para os seus paroquianos: “Deixa Deus ser Deus!”


4 – Contentar-se (v. 11-12)

Paulo afirma que a antídoto para vencer a ansiedade produzida pelos nossos desejos, é o contentamento. A insatisfação é a marca da nossa geração. Nós somos insatisfeitos por natureza. A insatisfação nos leva à murmuração. Lloyd-Jones diz que quando Paulo escreveu essas palavras estava na prisão, provavelmente acorrentado a um soldado à sua direita e outro à sua esquerda[2].

Existem situações na sua vida que você simplesmente não pode mudar, portanto, aprenda a viver contente. Eu, por exemplo, queria ser mais alto, mais forte, ter mais cabelos, ter um poste físico mais robusto e, quem sabe, ter olhos claros..., mas não, sou baixo, nordestino, gordinho, vou ficar careca e preciso viver feliz com isso.

Precisamos tomar uma decisão: “Não vou reclamar do que eu não tenho”. Há muitas coisas que nós não temos e gostaríamos de ter. E também há muitas coisas que nós olhamos para o outro e dissemos: “Por que esse miserável tem isso e não tenho”. Tem gente que não olha para aquilo que Deus lhe deu, mas fica olhando para o que Deus deu ao outro. E há muitas coisas que Deus já nos deu e nós jogamos fora.

Se fizermos uma análise sincera em nossa vidas veremos que temos muito mais do que aquilo que realmente precisamos. Lloyd-Jones diz que essa passagem diz que nossa suficiência é o SENHOR. Permitam-me usar uma pessoa como exemplo: D. Isolina. Essa irmã já passou e passa por grandes provações na vida. Entretanto, há sempre um sorriso em seus lábios. Quando pergunto a ela: “D. Isolina, está tudo bem?” ela responde: “Oh, pastor não está bom não..., mas vai ficar”.


CONCLUSÃO

Comentando o texto de Filipenses 4:6-7, Lloy-Jones introduz seu sermão com essas palavras: "Esta é, sem dúvida, uma das declarações mais nobres e mais consoladoras que pode ser encontrada em qualquer peça literária já escrita. Somos tentados a dizer isso a respeito de muitas passagens das Escrituras, porém do ponto de vista de nossa vida pessoal neste mundo, e do ponto de vista da experiência prática, não há declaração que ofereça mais conforto para o povo de Deus, do que estes dois versículos"[3].

O Hino n. 108 (Hinário Novo Cântico), escrito H. G. Spafford, fala sobre a felicidade em Jesus. Entretanto, há algo precisamos saber a respeito deste hino. O homem que escreveu esse hino, o compôs após perder toda sua família num naufrágio. Trata-se de um exemplo vivo de que podemos vencer toda e qualquer situação e continuarmos servindo ao SENHOR com alegria.

Rev. Daniel Sampaio Mota

[1] JONES. D. M. Lloyd. Depressão Espiritual. Editora PES, São Paulo: 1996, p. 246.
[2] JONES. D. M. Lloyd. Depressão Espiritual. Editora PES, São Paulo: 1996, p. 242.
[3] JONES. D. M. Lloyd. Depressão Espiritual. Editora PES, São Paulo: 1996, p. 226

12 comentários:

  1. Olá irmão Daniel, tudo bem?

    Estive visitando o seu blog, e achei legal demais. Parabéns!
    Passei a segui-lo.
    Vou colocar também um link seu na minha lista de favoritos em meu blog.

    Gostaria de lhe convidar a visitar o meu: ecclesiareformanda.blogspot.com

    Um abraço!
    Alberto M de Oliveira

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  2. Pastor do céu... estava precisando dessa palavra.
    Continue sempre com esse blog... é muito bom
    e a melhor parte foi: sou baixo, nordestino, gordinho,vou ficar careca e preciso viver feliz com isso...
    kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

    o senhor é demais
    kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

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  3. MARAVILHOSO,ESTAVA PROCURANDO,ALGO SOBRE ANSIEDADE,E ESSAS PALAVRAS,É MAIS UMA LIÇÃO NA MINHA VIDA,REALMENTE,É NA PALAVRA DE DEUS ,QUE ENCONTRAMOS,A SOLUÇÃO PARA COMBATER A ANSIEDADE,PARABENS!!!

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  4. Amém...
    Parabens!!!!
    deixa Deus te USAR!!!!!!!!!!

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  5. o pastor peço a ti oração pois estou passando por essa situação e a angustia aumenta muito. muito boa a palavra vou parar e refletir.

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  6. Gostei muito do assunto, acredito que mais gente de bem poderia enfatizar este problema, pois se trata do mal do século.

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  7. oi gostei,muito dessa palavras,tenho muita ansiedade,meu imail,,roseanecr-@hotmail.com

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  8. Palavra abencoada peço a Deus que leve minha ansiedade toda com ele em nome de jesus
    e peço perdao por todos os meus pecados........

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  9. Pastor muito obrigado por esta palavra, pois estou lutando contr esse mal na minha vida, e esta palavra me deu novas forças.

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  10. sou da ccb mas as suas palavras e seus ensinamentos me ajudaram a ver a vida de uma forma diferente

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  11. Pastor, seu texto é muito bom, tanto em conteúdo quanto em forma. Certamente ao ler fui edificado.

    Permita-me apenas questionar um pequeno ponto: por que colocou o fato de ser nordestino como sendo algo negativo?

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  12. Pastor! Que Deus continue usando sua vida ricamente...por meio deste blog você é um instrumento eficaz nas mãos do Pai...obrigado!!!

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