quarta-feira, 1 de julho de 2009

Como superar a perda

Tema: Como superar a perda
Texto: 2 Samuel 12:15-25

Todos nós já experimentamos a perda. Perda de um ente querido, perda de alguém que se ama, perda de um emprego, perda de dinheiro, perda de amigos. A perda é evento que nos machuca, nos faz sangrar, provoca um sentimento de dor, de falta, de ausência. A perda deixa um buraco em nossa alma, em nossa existência. Guardadas as suas devidas proporções, todos nós já experimentamos, em algum momento, o que é perder. O próprio Deus sabe exatamente o significado dessa palavra. Deus também experimentou o sofrimento. O profeta Isaías, 700 anos antes da vinda do Messias, assim descreveu o Cristo: “homem de dores e que sabe o que é padecer” (Is 53:3).
O texto em questão é uma referência a um dos episódios mais tristes da vida de Davi. Trata-se do dia em que Davi recebeu a notícia da morte de seu filho. Contudo, esse não é um evento isolado. Além da dor da perda havia ainda o sentimento de culpa e vergonha diante de Deus e de seu povo, pois aquela criança era fruto do adultério de Davi com Bate-Seba. Essa história envolve um dos atos mais escandalosos da Bíblia. Charles Swindoll disse que “nenhum pecado, salvo o de Adão e Eva, recebeu mais publicidade do que o de Davi com Bate-Seba”.
A Bíblia diz que a criança morreu nos primeiros dias após o nascimento. Essa criança não tinha nome, não houve nem mesmo tempo de registrá-la. Ela nasceu enferma. E diante desse quadro, o texto diz que Davi “passou a noite prostrado em terra” (v. 16). Passou a noite de joelhos, orando. Experimente ficar 10 minutos ajoelhados para que você tenha uma pequena noção do que significa passar a noite inteira de joelhos em oração.
A dor se intensifica pela quebra de um princípio natural. A ordem natural da vida é: os filhos enterram os pais. Aqui, entretanto, é o pai que caminha para sepultura a fim de enterrar seu filho. Certa vez um pai, ao ver se deparar com a morte do filho disse: “Eu não vou enterrar meu filho, meu filho é que vai me enterrar”. É indescritível a dor de um pai ou uma mãe que se depara com essa realidade.
O fato se agrava ainda mais porque Davi era o responsável direto pela morte do seu filho. Afinal, o pecado de Davi ocasionou essa tragédia. É difícil entender por que um bebê inocente devesse sofrer pelos pecados dos quais não era responsável. Mas essa é a natureza terrível do pecado. O pecado traz conseqüências desastrosas. Os pecados que você cometeu podem ser perdoados caso haja arrependimento, mas o perdão de Deus não anulará as suas conseqüências. Quantos cônjuges e filhos sofrem terrivelmente por causa do adultério cometido por um pai? O pecado NUNCA é um ato isolado. Quantas pessoas inocentes não são vítimas diariamente de criminosos? Quantas crianças não são vitimadas por erros cometidos por outras pessoas?
Entretanto, o que mais nos chama atenção no texto é a maneira como Davi reage à morte de seu filho. Davi poderia ter mergulhado numa crise espiritual aguda. A depressão poderia tê-lo escravizado. O sentimento de culpa poderia tê-lo feito refém. Sua relação com Deus poderia ter sido afetada, afinal, suas orações não foram atendidas, o seu jejum não surtiu nenhum efeito. Contudo, Davi nos mostra que é possível superar a perda.
Este episódio na vida de Davi nos ajuda a fazer o que é certo quando tudo está errado.

1 – Aceite aquilo que você não pode mudar
Muitos fatos na vida não podem ser mudados.
· Tempo
· O passado
· O fato de uma pessoa ter morrido
Há pessoas que passaram por experiências tão dolorosas em suas vidas que a vida se tornou pior do que a morte. Viver é pior do que morrer. Pessoas que ficam paralisadas. Entregam-se a situação e não conseguem reagir. Davi reagiu de uma maneira totalmente diferente. “Então, Davi se levantou da terra...” (v.20). Por conseguinte, Davi “lavou-se, ungiu-se, mudou de vestes, entrou na Casa do SENHOR e adorou” (v. 20). Davi percebeu que não poderia ficar a vida inteira de luto. Diante da incapacidade de reverter aquela situação, ele resolve aceitar. Entretanto, o que nos chama a atenção é a maneira como Davi reage. Ele simplesmente muda seu aspecto físico (lavou-se, ungiu-se e mudou de vestes) e vai em direção ao templo do SENHOR para adorar.
Isso é impressionante! Como é difícil adorar a Deus em dias de dificuldade. Como é difícil nos libertar de sentimentos que acorrentam nossa alma. Muitas pessoas sofreram perdas fragorosas e NUNCA conseguiram curar feridas emocionais provenientes da perda. É fato que todos nós gostaríamos de voltar no passado e mudar uma porção de coisas. Todos nós vivenciamos experiências passadas que nos desagradaram profundamente e, por isso, se tivéssemos a chance, voltaríamos e mudaríamos. Falaríamos aquilo que não falamos. Deixaríamos de falar aquilo que de repente falamos. Faríamos aquilo que não fizemos e deixaríamos de fazer uma série de coisas que fizemos. Mas não temos esse poder. O passado é algo que definitivamente não temos poder para mudar.


2 – Não se culpe por algo que Deus já te perdoou

Há três grandes perigos ao lidarmos com a perda:
1 – Culparmos Deus
2 – Culparmos os outros
3 – Culparmos a nós mesmos
A terceira é a mais perigosa de todas elas. Há pessoas que já foram perdoadas por Deus, mas nunca conseguiram se perdoar por erros que cometeram.
Ouvi a história de uma jovem que havia cometido aborto e fora aconselhar-se com o pastor. No meio da conversa ela abriu o coração: “Sei que Cristo me perdoou, mas não consigo me perdoar pelo que fiz!” Quantas pessoas não estão aprisionadas por esse mesmo sentimento. A culpa é um sentimento que nos massacra. Portanto, aproprie-se do sangue de Jesus, receba o perdão de Deus em seu coração e perdoe-se. Não carregue um fardo que não é mais seu. Não há pecado grave o bastante que o sangue de Jesus não possa lavar. Certa vez li o sermão de um pastor com um título bastante sugestivo: 5 Coisas que Deus nunca viu. As divisões do sermão era:
1 – Um doente que Ele não possa curar
2 – Um problema que Ele não possa resolver
3 – Um pecado que Ele não possa perdoar
4 – Um homem que Ele não possa amar
5 – Um pecador que Ele não possa salvar
A culpa é um sentimento que pode te levar à destruição. Portanto, peça perdão a Deus pelo seu pecado e não se culpe por algo que Deus já te perdoou. Peça ao SENHOR que derrame graça sobre a sua vida. Peça ao SENHOR que o sangue de Jesus remova todo e qualquer resquício que o pecado possa ter deixado no seu coração. Clame a Deus para que ele quebre os grilhões emocionais que aprisionam a sua alma. Seja livre!

3 – Não se isole

Há uma tendência natural do homem se isolar em momentos de profunda dor e tristeza. Ao atravessar crises, inúmeras pessoas evitam a companhia de outras pessoas. Isso é um perigo! Confinamento e isolamento são dois ingredientes muito perigosos quando associados a traumas emocionais. A solidão nunca foi uma boa companheira.
Percebendo esse perigo eminente, os amigos de Davi aproximam-se dele. Diz o texto: “Então, os anciãos da sua casa se achegaram a ele...” (v. 17). Alguém já disse que todos nós precisamos de um Gamaliel, de um Timóteo e de um Barnabé. Precisamos de alguém que esteja acima de nós (Gamaliel), alguém que seja uma referência espiritual para nosso crescimento. Precisamos também de alguém que esteja abaixo de nós (Timóteo), alguém que seja nosso discípulo, alguém a quem possamos passar tudo aquilo que aprendemos. Contudo, precisamos ainda de alguém que esteja ao nosso lado (Barnabé), alguém que seja nosso companheiro com quem possamos compartilhar nossas lutas e vitória.
Além da companhia inequívoca de Deus, necessitamos da companhia de amigos fiéis. É impressionante a história do patriarca Jó. Diante da tragédia que o assolava seus amigos apareceram para lhe ajudar a superar a dor. Entretanto, toda tentativa de seus amigos foram frustradas porque passaram a acusar Jó de pecados que ele não havia cometido. Tentavam achar justificativas humanas para responder ao sofrimento de Jó que era da ordem divina. Mas, há um evento, um único momento em que os amigo de Jó de fato foram cúmplices de seu sofrimento. A maior demonstração de amizade que seus companheiros lhe deram está registrado em Jó 2: 13, onde diz: “Sentaram-se com ele na terra, sete dias e sete noites; e nenhum lhe dizia palavra alguma, pois viam que a dor era muito grande”. A simples presença dos amigos, mesmo em silêncio, significou muito para o patriarca Jó.

4 – Deixe o seu fracasso no passado e siga em frente

A história registra os esforços de Thomas Edison para inventar a lâmpada elétrica. As suas primeiras 6 mil experiências foram fracassadas. Um dia, quando alguém lhe perguntou se ele estava desanimado, ele disse: “Não, agora estou bem informado de 6 mil maneiras como não se deve fazer o que eu procuro descobrir”.
ILUSTRAÇÃO: Silas Malafaia faliu 6 vezes até constituir uma das maiores editoras evangélicas desse país (Central Gospel). Ele disse que quando foi a falência pela quarta vez, convidou um irmão para entrar em sociedade com ele e alguns membros da Igreja disseram para esse irmão: “Não faça isso, esse Malafaia é um cara amaldiçoado, tudo que ele põe a mão fracassa”.
Briga de casais – “Porque há vinte anos atrás você disse isso, isso e isso...”. A mulher há 20 anos carrega uma mágoa do marido.

5 – Recomece tudo de novo, mas desta vez com a benção de Deus

O desfecho do texto é simplesmente maravilhoso. Diz a Bíblia que “Davi veio a Bate-Seba, consolou-a e se deitou com ela; teve ela um filho a quem Davi deu o nome de Salomão, e o SENHOR o amou. Davi o entregou nas mãos do profeta Natã, e este lhe chamou Jedidias, por amor do SENHOR” (v. 24-25).
Davi decide recomeçar! Mas desta vez tudo o que ele faz, o faz com a benção de Deus. E como conseqüência disso, diz o texto que o SENHOR amou a criança e, após seu nascimento, Davi o entregou nas mãos do profeta Natã num ato de consagração. Aquela criança viria a ser o sucessor de Davi no trono.
Em Deus é possível recomeçar. Nosso Deus é o Deus da segunda chance. Muitas pessoas precisam recomeçar suas vidas. Deixar para trás o passado marcado por frustrações, pesares e pecados. E, com a benção de Deus, construir uma nova história. Muitos casais que precisam recomeçar seu relacionamento conjugal. Tantos outros necessitam reconstruir suas famílias que foram abaladas por erros cometidos.
“Não importa onde você parou
Em que momento da vida você cansou
O que importa é que sempre é possível e necessário recomeçar
Recomeçar é dar uma nova chance a si mesmo”
(Carlos Drummond de Andrade)

Rev. Daniel Sampaio Mota

segunda-feira, 22 de junho de 2009

5 coisas que Deus nunca viu

Li o sermão de um pregador com esse título e achei muito sugestivo. As 5 coisas que Deus nunca viu são:

1 - Um doente que Ele não possa curar
2 - Um problema que Ele não possa resolver
3 - Um pecado que Ele não possa perdoar
4 - Um homem que Ele não possa amar
5 - Um pecador que Ele não possa salvar


Pense nisso!

Rev. Daniel Sampaio Mota

terça-feira, 12 de maio de 2009

Criando filhos para a glória de Deus

Criando filhos para a glória de Deus

Sua família é o maior patrimônio que você possui. Bens, diplomas e sucesso profissional perdem o significado para você sem a felicidade de sua família. Não podemos construir nossa felicidade sobre os escombros da nossa família. É triste perceber que muitas pessoas alcançam grandes vitórias no mundo, nos negócios, na profissão, nos estudos, mas amargam derrotas fragorosas dentro de casa. E o mais terrível desse quadro assustador é que, muitas vezes, o preço que se paga para ser bem-sucedido é abrir mão da família. O preço que se paga para ganhar mais é investir mais tempo no trabalho e dedicar menos tempo para a família.
Em nome do sucesso, muitos pais negligenciam a maior de todas as conquistas – ter uma família feliz. É consensual o fato de desejarmos que nossos filhos cresçam para a glória de Deus. Todo pai e toda mãe deseja ardentemente que seus filhos alcem vôos mais altos do que eles. Os pais desejam ver os filhos numa condição financeira mais abastada do que eles. Isso acontece porque os pais não desejam que seus filhos passem pelas mesmas privações que eles passaram. Por isso, o pai está disposto a pagar o dinheiro que for para garantir que o filho tenha a melhor educação. Por isso, há pais que dão tudo para seus filhos porque quando eram crianças não tinham nada.
É exatamente nessa perspectiva que vale a pena repensar o modelo sobre o qual estamos fundamentando a criação de nossos filhos. A Psicologia, a Pedagogia e tantas outras ciências possuem propostas inovadoras quanto a criação de filhos. Entretanto, nenhuma delas objetivam criar essas crianças com princípios espirituais. Conta-se a história de um homem que tinha cinco teorias diferentes para a criação de filhos. Contudo, ele não tinha nenhum filho. Ao passar do tempo, esse homem teve cinco filhos e depois descobriu que não tinha nenhuma teoria. Essa história ilustra bem a minha realidade, pois, ainda não tenho filhos. Entretanto, o que venho propor não é uma mera teoria. Não trata-se de mais um experimento dentre tantos outros sugeridos por psicólogos, pedagogos ou educadores. O que venho apresentar é mais que uma teoria. Refiro-me a PRINCÍPIOS que são estabelecidos pela Palavra de Deus.
O Deus da Bíblia é um Deus família. Basta olhar para a história da redenção e você perceberá que as alianças constituídas no Antigo Testamento eram alianças familiares. Não apenas o indivíduo era alvo da aliança, mas, por conseguinte, toda a sua família era incluída no pacto. No Éden, Deus fez uma aliança com Adão e Eva (a primeira família). No dilúvio, Deus não apenas salvou o justo Noé, mas, juntamente com ele, toda a sua família (Gn 6:18). Ao entrar em aliança com Abraão, Deus disse: “Estabelecerei a minha aliança entre mim e ti e a tua descendência no decurso das suas gerações, aliança perpétua, para ser o teu Deus e da tua descendência (Gn 17:7).
Assim sendo, uma primeira consideração deve ser feita. Nossos filhos pertencem ao SENHOR. Embora o seu filho não saiba, ou mesmo sabendo diga não ser do SENHOR, assim mesmo ele é. A Bíblia chama os filhos de herança do SENHOR (Sl 127:3). O apóstolo Paulo diz que os nossos filhos são santos (1 Co 7:14). Eles são herdeiros da promessa (At 2:39).
Gostaria, ainda, de fazer menção da nossa saudosa irmã Ana Maria, esposa do pastor Jeremias Pereira, que sempre afirmava com muita veemência nos congressos do Desperta Débora: “Nós não criamos filhos para povoarem o inferno. Criamos filhos para serem cheios do Espírito Santo de Deus!”. Essa deve ser a perspectiva sobre a qual todo pai deve criar seu filho. Os pais devem pedir graça, orientação e sabedoria para criarem seus filhos a fim de que eles sejam instrumentos da glória de Deus. Portanto, se desejamos criar filhos para a glória de Deus, seguem abaixo alguns princípios bíblicos que devem nortear a criação dos mesmos.

1 – Ensinando-o no caminho do SENHOR
“Ensina a criança no caminho em que deve andar e ainda quando for velho não se desviará dele”. (Prov. 22:6)
O texto de Provérbios é um texto basilar para a criação de filhos. Entretanto, há algo muito precioso nesta passagem que merece nossa atenção. A ordenança dada pelo autor sacro não é para ensinar o caminho, mas sim ensinar no caminho. Essa diferenciação é muito importante, pois quem ensina o caminho apenas aponta para o destino a ser percorrido, não se comprometendo a caminhar junto. Trata-se mais de um ensino à distância, meramente intelectual e informativo. Contudo, aquele que ensina no caminho também está percorrendo junto o trajeto, ou seja, além de mostrar qual caminho, o educador está comprometido em caminhar junto ao educando. Não trata-se de um ensino puramente informativo, mas, sobretudo, vivencial.
Isso nos leva a considerar alguns postulados muito importantes na criação de filhos:
· Ensinar é muito mais do que levar a criança para a Igreja. O grande pregador norte-americano Billy Graham disse: “Ir à Igreja não fará de você um cristão, assim como dormir na garagem não vai fazer de você um carro”.
· Ensinar é muito mais do que falar sobre Deus. Como você vai falar acerca de quem você não conhece. Como mostrará para o seu filho que Deus é bom se você jamais experimentou a bondade de Deus em sua vida.

Os puritanos do século XVII tinham uma prática muito interessante. Quando notavam que uma determinada criança não estava crescendo no conhecimento das Escrituras, eles disciplinavam os pais por entenderem que os pais eram os responsáveis pela ignorância da criança acerca do conhecimento de Deus. Imagine quantos pais seriam disciplinados se a Igreja contemporânea resolvesse adotar tal medida.
A palavra hebraica traduzida como ensino é chinuch. Significa muito mais do que simplesmente educação no sentido de dar à criança fatos e números a serem assimilados. Chinuch significa moldar o caráter da criança e guiá-la, passo a passo, pelos caminhos que a ajudarão a torná-la uma pessoa íntegra e um bom judeu em sua totalidade.

Os comentaristas bíblicos afirmam que Jesus se utilizava do método peripatético de ensino. A palavra peripatético é uma palavra grega que significa “ambulante”, “itinerante”, ou mesmo “aqueles que passeiam”. O método peripatético pode ser assim definido: “Ensinar enquanto se caminha junto”. Trata-se de um ensino que é fruto de um relacionamento. É a arte de ensinar ao ar livre. Na época de Jesus se alguém desejasse se tornar aluno de algum mestre em Israel, tal pessoa deveria estar disposta a seguir seu mestre. Pois, a medida que o mestre caminhava ele ia ensinando. Portanto, o ensino proposto por Jesus é muito diferente da idéia que concebemos de aprendizagem. O ensino de Jesus não está limitado a prescrições frias, mas a um estilo de vida. O preceito acima já estava contemplado na Lei de Moisés. Senão, vejamos: “Estas palavras que, hoje, te ordeno estarão no teu coração; tu as inculcarás a teus filhos, e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e ao deitar-te, e ao levantar-te. Também as atarás como sinal na tua mão, e te serão por frontal entre os olhos. E as escreverás nos umbrais de tua casa e nas tuas portas” (Dt. 6:6-9, grifo meu).
Outro aspecto que merece nossa atenção é: só se ensina aquilo que se sabe. Logo, se o Pai não conhece as Escrituras, como ensinará o seu filho acerca do Reino de Deus? Assim sendo, o pai deve ser um profundo conhecedor das Escrituras a fim de transmitir ao seu filho o conhecimento de Deus.

2 – Sendo um modelo
Aqui reside um outro perigo. O perigo de conhecer, ensinar, mas não viver nada daquilo que se ensina. O pai é um espelho psicológico que o filho usa para construir sua própria identidade. A Psicologia já desvendou alguns mistérios que cercam a nossa formação. Afirma os psicólogos que o caráter e a personalidade da criança vão sendo formada a partir das suas relações familiares. Assim sendo, a família é a base para o desenvolvimento saudável da criança.
Há ainda que se considerar que a criança, no processo de construção da sua psique, não tem capacidade de conceber aquilo que é abstrato. Por isso, ela dificilmente vai conseguir entender a idéia de um Deus invisível. Por isso, nós criamos links para que as crianças comecem a entender quem é Deus e o que Ele faz. Sabe qual é a primeira figura que associamos a Deus? A criança aprende, primeiramente, que Deus é o “Papai do Céu”. Assim, o pai torna-se a referência para que a criança aprenda sobre Deus. Se o pai é um homem agressivo, punitivo e autoritário, qual será a concepção que essa criança terá de Deus? Se o pai for um alguém sem caráter, mentiroso, que não cumpre com suas promessas, possivelmente, será essa a associação que a criança fará com o “Papai do Céu”. Seu filho aprenderá sobre Deus observando você!
Há alguns anos venho trabalhando na Igreja, especificamente, com jovens e adolescentes. Um dia conversando com uma jovem, fui surpreendido com um a resposta que obtive ao fazer-lhe uma pergunta. Ao ser indagada sobre sua expectativa acerca do casamento, ela respondeu: “Casar para quê? Para ser infeliz igual a meus pais?”. Aquela jovem via o casamento como uma frustração porque o relacionamento dos seus pais era um péssimo exemplo de convivência familiar. Ensinar é mais do que transmitir conhecimento. É preciso estabelecer um ensino baseado não apenas no discurso, mas num modelo de vida. Ensinamos mais com a vida do que com as palavras. Alguém já disse que as palavras ensinam, mas o exemplo arrasta.
O maior e o mais poderoso método de ensino é o exemplo. Jesus ensinava através do exemplo (Jo 13:15). Jesus nunca pediu aos seus discípulos que fizessem algo que Ele mesmo não tivesse feito. Jesus nunca pediu aos seus discípulos que vivessem algo que ele mesmo não tivesse vivido. O apóstolo Paulo também compreendeu essa verdade ao afirmar: “sede meus imitadores como eu sou de Cristo” (1 Co 11:1). A grande queixa de Jesus contra os fariseus era o seu estilo de vida hipócrita. Disse Jesus: “Na cadeira de Moisés se assentaram os escribas e os fariseus. Fazei e guardai, pois, tudo quanto eles vos disserem, porém não os imiteis nas suas obras; porque dizem e não fazem” (Mt 23:2, 3, grifo meu). Somente neste capítulo (Mateus 23) Jesus chama sete vezes os escribas e fariseus de hipócritas. A palavra hipócrita remonta o período da Grécia Antiga, onde alguns artistas faziam encenações artísticas de peças teatrais. Assim, o artista na Grécia era chamado de hipócrita, pois sua função era representar alguém que ele não era. E, para desenvolver seu papel, usava máscaras diante da platéia. Ao fazer uso dessa palavra Jesus está afirmando que os fariseus viviam uma vida de encenação, pois representavam ser aquilo que, realmente, não eram. Usavam máscaras e arquétipos, mas os seus corações eram corruptos e malignos. Eram artistas.
Eugene Peterson, em seu livro Um Pastor segundo o Coração de Deus, também faz coro às palavras de Jesus denunciando os pastores da pós-modernidade:
"Não conheço outra profissão em que seja tão fácil fingir como a nossa. Existem comportamentos que podemos adotar para sermos considerados, sem nenhum questionamento, conhecedores de mistérios: ter um porte reverente, cultivar uma voz empostada, introduzir em nossas conversas e palestras palavras eruditas em quantidade suficiente apenas para convencer os outros de que nosso treino mental está um pouco acima do que o da congregação"[1].
É preciso resgatar a integralidade da mensagem, onde o discurso e a vida se coadunem. Jesus nos mostra que o exemplo é a única base do verdadeiro discipulado. É vendo você orar que seu filho aprenderá a orar. É vendo você lendo as Escrituras que seu filho aprenderá a importância da Palavra de Deus. É percebendo a sua comunhão e intimidade com Deus que seu filho aprenderá a amar, temer e reverenciar o SENHOR. Você é um espelho para o seu filho e sua imagem será refletida nele.

3 – Disciplinando-o no temor do SENHOR

A disciplina é uma orientação bíblica. A Bíblia afirma que o próprio Deus “corrige a quem ama e açoita a todo filho a quem recebe” (Hb 12:6). O autor de Hebreus continua: “É para a disciplina que perseverais (Deus vos trata como filhos); pois que filho há que o pai não corrige? Mas, se estais sem correção, de que todos se tem tornado participantes, logo, sois bastardos e não filhos” (Hb 12:7-8). Deus é o maior exemplo de pai e, por conseguinte, o maior paradigma de educador. Na pedagogia de Deus um dos princípios para a educação é a disciplina.
Uma das maiores dificuldades que os pais enfrentam é disciplinar seus filhos. Dizer não tornou-se uma dura tarefa para muitos pais. Ninguém gosta de receber um “NÃO” como resposta. Essa é exatamente a típica resposta que nos contraria. Isso porque se trata de uma negativa quanto à realização de nossos anseios e aspirações. Assim, sempre que pedimos algo, esperamos receber um “SIM”, para que tenhamos nossas vontades saciadas. Entretanto, nem sempre temos aquilo que queremos. Nem sempre recebemos aquilo que pedimos. Nem sempre conquistamos aquilo que tanto sonhamos. É mister aprendermos a receber “NÃO”. E, no que tange à criação de filhos, é importante que o pai saiba dizer “NÃO” ao seu filho.
Imagine se para tudo que teu filho te pedisse você dissesse “Sim!”. Seria trágica a educação de seus filhos. Essa criança cresceria sem limites. E, se há uma crise instituída na nossa sociedade é ausência de limites. A Psicologia afirma que o “Não!” protege, ensina e prepara. Imagine se você permitisse ele comer doces e guloseimas sempre que ele deseja. Por que, em determinadas ocasiões, você diz “NÃO” ao seu filho? Simplesmente porque sua saúde seria comprometida. Ele não sabe o que é melhor para ele, mas você, como pai ou mãe, sabe exatamente do que seu filho precisa. Por isso, você dá a ele, inclusive, aquilo que ele não deseja, como verduras e legumes. O próprio Deus não nos concede tudo aquilo que pedimos. Deus é Pai por excelência. E, como um bom Educador, Ele diz “NÃO” a muitas solicitações que lhe fazemos. Apenas para que você tenha uma idéia do que estamos falando, uma pesquisa exaustiva nas Escrituras registrou que a palavra SIM está registrada 462 vezes na bíblia enquanto a palavra NÃO tem 8.409 registros. Portanto, aprenda a dizer “NÃO”para o seu filho.
O livro de Provérbios traz inúmeras afirmações que corroboram para o bem que a disciplina promove na criação de filhos. Senão, vejamos:
“Corrige o teu filho, e te dará descanso, dará delícias à tua alma” (Pv 29:17).
“O que retém a vara aborrece a seu filho, mas o que o ama, cedo, o disciplina” (Pv 13:24).
“Castiga o teu filho, enquanto há esperança, mas não te excedas a ponto de matá-lo” (Pv. 19:18).
“A estultícia está ligada ao coração da criança, mas a vara da disciplina a afastará dela” (Pv 22:15).
“Não retires da criança a disciplina” (Pv 23:13a).
“A vara e a disciplina dão sabedoria, mas a criança entregue a si mesma vem a envergonhar a sua mãe” (Pv 29:15).

Os filhos precisam de limites e os pais desempenham o papel de impô-los. A Bíblia está repleta de exemplos de famílias que foram destruídas porque os pais não disciplinaram seus filhos. Deus destruiu a casa de Eli porque este sacerdote não disciplinou os seus filhos (1 Sm 3:13). O grande rei Davi, um homem segundo o coração de Deus, se deparou com a morte de seus filhos porque não os repreendeu (2 Sm 13 e 2 Sm 18).
É importante estabelecer uma distinção entre disciplina e castigo. Castigo provém do latim castus, que significa puro, casto, e está correlacionado com a castidade. Assim, o castigo era uma punição rigorosa que se impunha sobre aquele que desejava viver uma vida pura. Portanto, o castigo não tem uma função meramente punitiva, mas serve a um propósito maior que é aperfeiçoar aquele a quem se submete o castigo. Já a disciplina está intimamente ligada a um estilo de vida pautada em princípios de ordem, obediência e reverência. Esses dois elementos devem estar presentes na criação de nossos filhos. A disciplina é um ato de amor e o pai que negligencia este instituto ao seu filho lhe causará grandes danos no futuro. O Rev. Hernandes Dias Lopes afirmou: “Se o nosso cristianismo não é capaz de mudar o nosso relacionamento com nossa família, ele está falido” .

4 - Seja um intercessor do seu filho

Sempre haverá esperança para família onde houver uma mãe que ora. Sempre haverá esperança para a família onde houver um pai comprometido em interceder por seus filhos. Antes de falar de Deus para nossos filhos, precisamos falar de nossos filhos para Deus.
Jó era um pai exemplar nessa matéria. Diz a Bíblia que “Decorrido o turno de dias de seus banquetes, chamava Jó a seus filhos e os santificava; levantava-se de madrugada e oferecia holocaustos segundo o número de todos eles, pois dizia: Talvez tenham pecado os meus filhos e blasfemado contra Deus em seu coração. Assim fazia Jó continuamente” (Jó 1:5, grifos meu). Algumas considerações devem ser feitas. Primeiramente, o texto registra que Jó “chamava seus filhos e os santificava”. Perceba a diferença que faz a liderança espiritual do pai dentro de casa. Isso é um pai de verdade, no sentido estrito da palavra. Jó estava preocupado não apenas com educação de seus filhos; não apenas com a provisão de seus filhos; mas, sobretudo, profundamente preocupado com a vida espiritual de seus filhos. Antes de preocupar-se com a escola do seu filho, que faculdade ele vai fazer, em que área ele vai trabalhar, preocupe-se em ter um filho santo. Faça como Jó: CHAME O SEU FILHO e o SANTIFIQUE. Coloque suas mãos sobre a cabeça dele e consagre-o ao SENHOR.
Em segundo lugar, diz o texto que Jó “levantava-se de madrugada” com o propósito de colocar os seus filhos diante do altar. Eis aqui a figura de um pai intercessor. Qual foi a última vez que você orou por seus filhos de madrugada? Jó, além de ter um momento de oração com os filhos, tinha também um momento secreto onde ele, sozinho, apresentava seus filhos a Deus. O texto ainda registra que “oferecia holocaustos segundo o número de todos eles”, ou seja, não havia um filho sequer que Jó deixasse de orar. Não havia predileções. Jó não ponderava se este filho dava mais trabalho do que aquele ou se aquele outro era mais bonzinho e obediente que o primeiro. Definitivamente, não havia este espírito no coração de Jó. Diz o texto que ele apresentava seus filhos individualmente a Deus.
Em terceiro lugar, podemos destacar a regularidade com que Jó fazia isso. A palavra empregada pelo autor sacro é “continuamente”, dando a idéia de uma prática freqüente e ininterrupta. Jó sempre apresentava seus filhos diante do altar do Senhor. Não desista nunca de orar para o seu filho. Se ele está no mundo ore por ele; se ele já é um servo do SENHOR, continue orando por ele. Ore sempre. Os seus filhos devem ser o primeiro item da sua lista de oração.

Conclusão
Deus lhe deu uma grande tarefa – a incumbência de criar seus filhos para a glória dEle. Portanto, para lograr êxito, você precisa lançar mão de todos os meios e recursos disponíveis. Dedicar o melhor do seu tempo. Gastar horas em oração, aconselhamento e convivência com os seus filhos. Investir seus melhores momentos na formação do caráter dos seus descendentes. Deus é o paradigma de pai para todos nós. E Ele nos deixou um manual para a criação de filho – a Bíblia Sagrada. Portanto, todos os princípios necessários para uma boa educação estão registrados na Escritura. Torne-se um conhecedor da Palavra para que, através dela, você obtenha sabedoria necessária para transmitir a fé aos seus filhos.
O salmista registra: “O que ouvimos e aprendemos, o que nos contaram nossos pais, não o encobriremos a seus filhos; contaremos à vindoura geração os louvores do SENHOR, e o seu poder, e as maravilhas que fez. Ele estabeleceu um testemunho em Jacó, e instituiu uma lei em Israel, e ordenou a nossos pais que os transmitissem a seus filhos, a fim de que a nova geração os conhecesse, filhos que ainda hão de nascer se levantassem e por sua vez os referissem aos seus descendentes; para que pusessem em Deus a sua confiança e não se esquecessem dos feitos de Deus, mas lhes observassem os mandamentos” (Sl 78:3-7). O pai tem a responsabilidade de transmitir ao seu filho a herança da fé.
Se você fracassar como presbítero fique tranqüilo, a obra de Deus não vai parar, Deus levantará outros para substituir você. Se você fracassar como diácono fique tranqüilo, a obra de Deus vai continuar porque Deus levantará outro para substituir você. Se você fracassar como líder de qualquer departamento da Igreja, a obra vai continuar porque Deus levantará outro para ocupar o seu lugar. Mas se você fracassar como pai, não há ninguém que Deus possa colocar no seu lugar. Essa é uma tarefa exclusivamente sua. Ninguém pode te substituir como pai, como esposo e como líder espiritual da sua casa. Se você fracassar como pai, toda a sua família estará comprometida.

[1] PETERSON, Eugene. Um Pastor Segundo o Coração de Deus: a forma da integridade pastoral. Traduzido por Cláudia Moraes Ziller – Rio de Janeiro: Textus, 2000, p. 5.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Um exemplo a não ser seguido

Um exemplo a não ser seguido

“Os pecados da liderança são mais graves, mais hipócritas e mais danosos. Mais graves porque o líder peca contra o maior conhecimento. Mais hipócrita porque o líder denúncia o pecado em público e o comete em secreto. E mais danosos porque o líder quando cai sempre conduz outros a queda”
(Richard Baxter, século XVII).

A família de Eli é um exemplo de uma família que tinha tudo para dar certo, mas desintegrou-se. Eli era um homem respeitadíssimo nos seus dias. Era sacerdote e juiz de Israel. Ocupava duas posições da mais alta relevância. Como sacerdote ele era o líder espiritual do seu povo. Como juiz ele era o líder político da nação. Seus filhos tinham tudo para ser uma benção. Contudo, a Bíblia diz que eles eram uma maldição.
Esse homem foi um sucesso no seu trabalho, mas uma tragédia como pai. Esse homem era um colosso como líder de Israel, mas negligente com suas principais ovelhas – sua própria família. E há algo muito importante que deve ser examinado na vida de Eli. Ao nos depararmos com as duas severas admoestações que Deus faz ao sacerdote, o SENHOR não está advertindo-o por algo que ele tenha feito. Antes, Deus está exortando-o por algo que ele não fez (2:29; 3:13). Assim sendo, pode-se concluir que o pecado de Eli era a omissão.

Nós daremos conta diante de Deus não apenas por aquilo que fazemos, mas, também por aquilo que deixamos de fazer. O apóstolo Tiago nos advertiu: “Aquele, pois, que sabe fazer o bem e não o fez, comete pecado” (Tg 4:17). Portanto, quando você sabe da necessidade de um irmão e, por conseguinte, tendo condições de sanar o problema do referido irmão, você se omite, tal postura configura um pecado. Outro texto que merece nossa atenção diz respeito a Mateus 25:14-30. Na parábola dos talentos, qual o motivo da ira do SENHOR sobre aquele que enterrou o seu talento? Ele fez alguma coisa? O contrário! A ira do SENHOR justifica-se exatamente porque ele deixou de fazer. Quando você tem um dom dado por Deus (seja cantar, servir, contribuir, etc.) e você não o usa para a glória de Deus, nisso você está pecando.
O padre Antônio Vieira, um dos maiores paladinos da evangelização no Brasil, disse que “omissão é o pecado que se faz não fazendo”. No direito, omissão é a conduta pela qual uma pessoa não faz algo a que seria obrigada a fazer dada a circunstância. No direito Penal, a omissão constitui um crime passivo de pena. (ex.: omissão de socorro). Se na esfera humana a omissão representa um crime, imagine o que ela representa na esfera espiritual. Se para os homens a omissão é algo inaceitável, o que dirá para Deus.
A história de Eli ganha fôlego em muitos lares evangélicos. É notório o drama que muitos pais cristãos enfrentam com seus filhos. Enquanto eles estão no templo, os filhos estão no mundo. Enquanto os pais buscam a Deus, os filhos buscam a satisfação de seus próprios prazeres nos banquetes promovidos por satanás. Os números confirmam ainda mais essa realidade. Uma pesquisa realizada recentemente no CAJE constatou que 70% dos jovens e adolescentes que estão ali cumprindo medidas sócio-educativas são oriundos de lares cristãos. Nesse sentido, a vida de Eli torna-se um modelo de pai a não ser seguido. A Bíblia está repleta de exemplos. Exemplos bons e maus. Exemplos a serem seguidos e exemplos a serem rejeitados. Assim, a vida de Eli torna-se o modelo de um pai que não devemos ser.

1 – Eli cuidava dos outros, mas não cuidava da sua própria família
“Ora, se alguém não tem cuidado dos seus e especialmente dos da própria casa, tem negado a fé e é pior do que o descrente” (I Tm 5:8).
Eli era um especialista em resolver problemas. Os dois cargos que ele exercia fez dele um perito nessa área. Como juiz, ele se ocupava em resolver litígios, brigas e demandas sociais. Como sacerdote, ele se ocupava em resolver problemas de outra esfera, ou seja, problemas da ordem espiritual. Assim, ele era um homem que sabia exatamente o caminho para a solução. Afinal, seu dia inteiro era dedicado a cuidar dos interesses de outras pessoas. Entretanto, Eli foi incapaz de resolver o maior de todos os problemas. Enquanto ele cuidava dos outros, a sua família foi esquecida. Enquanto todas as suas energias eram dispensadas em resolver problemas alheios, um enorme problema eclodiu no seu lar. O sacerdote Eli pastoreava todos, menos sua própria família.
A crise vivida por muitos adolescentes justifica-se porque ele passou a infância inteira acreditando que o pai era um herói e quando chegou à idade da razão descobriu que o pai não era nada daquilo que ele imaginava ser. Você precisa continuar sendo um herói para o seu filho. O seu filho, mesmo após crescer, precisa continuar vendo em você um referencial de vida. Hoje há uma crise de referenciais. Inúmeros jovens ou mesmo adolescentes quando são indagados acerca de casamento, prontamente, respondem: “Eu não quero casar para ser infeliz como os meus pais!”. Essa é uma triste realidade. A própria casa tornou-se uma referência negativa.
O contrário também é verdadeiro. Conheci uma moça que iria se casar e, por conta disso, sua mãe havia se disposto a dar-lhe uma série de conselhos e recomendações. Ao final da conversa, após ouvir atentamente cada palavra que sua mãe lhe dissera, a moça disse: “Mãe, se eu for pelo menos metade da mulher que a senhor foi, tenho certeza que minha felicidade está garantida!”. Aquela senhora era um modelo para sua filha. Era mais que uma mãe, era um exemplo de esposa, de educadora, de conciliadora e, sobretudo, um exemplo de mulher.
O maior presente que você pode dar ao seu filho é amar a mãe dele. Não há nada que afete mais significativamente uma criança do que um ambiente permeado por amor e afeto.

2 – Eli era famoso fora dos portões, mas não tinha autoridade dentro de casa
Era admirado pelas pessoas de fora, mas não era admirado pelos seus filhos. Era um líder descomunal no seu trabalho, mas alguém sem nenhum prestígio dentro de casa.
Essa era a mesma frustração vivida pelo grande general de guerra Naamã. Assim a Bíblia registra: “Naamã, comandante do exército do rei da Síria, era grande homem, diante do seu senhor e de muito conceito, porque por ele o SENHOR dava vitória à Síria; era ele herói de guerra, porém leproso” (II Reis 5:1). Na rua Naamã era visto como um guerreiro vencedor, vestindo a sua indumentária de herói, uma armadura típica de um general. Alguém imponente, respeitado e admirado pelos de fora. Mas dentro de casa, quando tirava a sua capa, despido de sua armadura, não passava de um leproso.


3 – Eli havia se acostumado com o sagrado

“E, tu, por que honras a teus filhos mais do que a mim, para tu e eles vos engordardes das melhores de todas as ofertas do meu povo de Israel?” (2:29).
Para entendermos melhor o significado desse texto, é preciso que recorramos ao funcionamento do serviço prestado pelo sacerdote ao povo. Primeiramente, devemos considerar que os sacerdotes viviam do serviço sacerdotal. Assim, parte das ofertas trazidas pelo povo eram destinadas a subsistência dos próprios sacerdotes. Entretanto, a Bíblia diz que os filhos de Eli haviam ignorado essa ordenança e estavam profanando o altar do SENHOR, pois eles se apropriavam daquilo que não era deles, mas do SENHOR (2:12-17). E por que eles faziam isso? Diz a Bíblia que eles “não se importavam com o SENHOR” (v. 12). Em um vocabulário mais popular, eles não davam a mínima para Deus.
Há ainda um texto que devemos considerar. O profeta Oséias foi levantado por Deus para advertir o povo acerca da sua transgressão. Contudo, há uma forte admoestação de Deus para os seus sacerdotes. Senão, vejamos: “O meu povo está sendo destruído, porque lhe falta o conhecimento. Porque tu, sacerdote, rejeitaste o conhecimento, também eu te rejeitarei, para que não sejas sacerdote diante de mim; visto que esqueceste da lei do teu Deus, também eu me esquecerei de teus filhos. Quanto mais estes se multiplicaram, tanto mais contra mim pecara; eu mudarei a sua honra em vergonha. Alimenta-se do pecado do meu povo e da maldade dele têm desejo ardente. Por isso, como é o povo, assim é o sacerdote; castigá-lo-ei pelo seu procedimento e lhe darei o pago das suas obras” (Oséias 4:6-9).
A tendência de muitos cristãos é parar na primeira sentença do versículo 6. Entretanto, a chave hermenêutica para entendermos o real significado de tal afirmação está nos versos seguintes. Por que o povo estava sendo destruído? A resposta é clara: por falta de conhecimento. Outra pergunta deve ser feita: Qual a única maneira de se remir um pecado no Antigo Testamento? Através do sacrifício de animais, ou seja, através de uma oferta pelo pecado. Por isso, o sacerdote era um grande interessado no pecado do povo, pois quanto mais o povo pecava, mais sacrifícios haveria. E, havendo mais sacrifícios, mais ele ganhava. Essa era a dinâmica que havia se instituído no templo na época do profeta Oséias. Por isso Deus diz: “Alimentam-se do pecado do meu povo”. O pecado havia se tornado uma fonte de lucro.
Esse era exatamente o drama que envolvia Hofni e Finéias. O pecado do povo havia se tornado a fonte de lucro para eles. A Bíblia registra que o próprio Deus disse a Samuel que eles “se fizeram execráveis” (v. 13). A palavra execrável é sinônima da palavra abominável. Perderam completamente a sensibilidade. Suas mentes estavam cauterizadas. Estavam no templo, mas estavam desviados. Estavam diante do altar, mas com o coração longe de Deus. Estavam fazendo a obra de Deus, mas mergulhados na lama do pecado. Para Deus, ser é mais importante do que fazer. Deus não está preocupado com o que você faz, mas, sobretudo, com quem você é.
Não há perigo maior do que esse! Acostumarmo-nos com as coisas de Deus. Vir ao culto já não é mais empolgante, ler a Bíblia já não é mais empolgante, orar já não é mais empolgante. Banalização daquilo que é santo. É a própria secularização do divino.

4 – Eli aceitou passivamente a decretação da derrota em sua família.
“Então, Samuel lhe referiu tudo e nada lhe encobriu. E disse Eli: É o SENHOR; faça o que bem lhe aprouver” (3:18). A Bíblia na Linguagem de Hoje traduz assim: “Faça Deus o que achar melhor”.
Essa frase proferida pelo sacerdote Eli indica sua rendição. Sua omissão o levou a passividade – aceitou a decretação da derrota dentro de sua casa. O juízo sentenciado por Deus deveria tê-lo conduzido às lágrimas. Entretanto, ele aceita a derrota. Eli aceitou passivamente a decretação da derrota sobre a sua casa. Ele não reagiu. Ele não clamou por misericórdia. Ele não orou. Ele, simplesmente, entregou os pontos.
Não há nada mais triste do que isso. Ver um pai desistindo dos seus filhos é algo deplorável. O silêncio de Eli dentro de casa foi a sua própria condenação. Luther King, em um de seus discursos, afirmou: “O que me preocupa não é o barulho dos violentos e sim o silêncio dos justos”. Eli se calou quando deveria ter gritado. Ele ficou parado quando deveria ter agido. Ele se rende quando deveria ter lutado pela sua família e salvação de seus filhos.
Não entregue os pontos! Não desista! Não abra mão da sua família! Você não gerou filhos para a morte. Você não gerou filhos para o cativeiro. Ore, lute, chore e jejue pela salvação dos seus filhos.

Conclusão
Um dos mais conhecidos pregadores da Inglaterra foi Richard Baxter. Quando jovem foi chamado a pastorear uma grande igreja, cujos membros eram ricos e instruídos. Achou-os, porém, frios e carnais. Por isto, ficou desapontado e deixou-se levar pelo desânimo. No auge da crise, declarou: “O único meio de salvar a Igreja é estabelecer a religião nos lares, e levantar o altar familiar”.
Passou três anos visitando casas e estabelecendo o culto doméstico. Seus esforços foram coroados com êxito. E, assim, o culto doméstico serviu de base a um movimento que trouxe à Igreja milhares de pecadores.
Essa é realmente a maior necessidade da Igreja contemporânea. Erguer o altar dentro do ambiente familiar é uma necessidade real e urgente.
Rev. Daniel Sampaio Mota

quinta-feira, 9 de abril de 2009

As últimas lições do discipulado

As últimas lições do discipulado
João 13:1-17

Introdução
O que você faria se soubesse que morreria amanhã? O que você falaria para as pessoas que te cercam se soubesse que aquelas seriam suas últimas palavras? Quais seriam seus atos se soubesse que seriam seus últimos gestos? Se você fosse um pregador, qual seria o seu último sermão? Essa era exatamente a condição de Jesus. Diz a Bíblia que “sabendo Jesus que era chegada a sua hora de passar deste mundo para o Pai...” (v.1). Sendo Deus e gozando de atributos divinos como a onisciência, Jesus sabia exatamente o que o aguardava ainda aquela noite. Ele sabia que horas depois seria traído, entregue aos principais sacerdotes e abandonado pelos seus discípulos. Por isso, aquelas eram horas preciosas. Com certeza muito havia a ser dito. Muitas palavras a serem proferidas. Muitos conselhos a serem dados. Inúmeras recomendações a serem feitas. Entretanto, naquela noite memorável, Jesus abre mão do discurso e lança mão do exemplo. Ele não fala, ele age. Ele não prega um sermão, ele vive a pregação.
É muito sugestivo o texto iniciar dizendo “Ora, antes da Festa da Páscoa...” (v. 1), porque a Páscoa torna-se o cenário sobre o qual esse evento acontece. Isso não é por acaso. Não se trata de uma data acidental. Pelo contrário, todas as coisas obedeciam ao relógio de Deus. A palavra páscoa significa passagem. A instituição da páscoa remonta a saída do povo do Egito para a Terra Prometida. Nesse sentido, a páscoa simbolizava a passagem do povo de uma condição de escravidão para a liberdade. Assim sendo, a páscoa do Antigo Testamento e do Novo Testamento tem o mesmo sentido, mas dimensões diferentes. No Antigo Testamento, a Páscoa simbolizava a libertação física do povo, ou seja, a escravidão e o jugo a que os hebreus estavam submetidos pelos egípcios havia terminado. No Novo Testamento, a páscoa também simboliza a libertação. Contudo, agora, com uma dimensão espiritual. Aquele que era escravo do pecado, sentenciado ao juízo divino, agora está liberto através do sacrifício vicário de Jesus.
O ministério terreno de Jesus durou três. E, neste interstício, os discípulos tiveram a grande oportunidade de conviver diariamente com o Mestre. Três anos ouvindo suas pregações, preleções e estudos bíblicos. Este foi, com certeza, o maior seminário teológico já fundado na história do cristianismo. Esse seminário era composto de apenas doze alunos e um único professor – o próprio Deus, Jesus de Nazaré. Os discípulos testemunharam diversos milagres: curas, libertações e até ressurreições.
Durante esse período, os apóstolos participaram da intimidade de Jesus. Entretanto, o texto sugerido nos mostra que o período de formação estava chegando ao fim. Após três anos de muito aprendizado, os seminaristas estavam prestes à ordenação. O evento narrado pelo evangelista João remonta a noite de quinta-feira, data em que Jesus seria entregue aos principais sacerdotes. Portanto, o texto relata os últimos momentos de Jesus com os seus discípulos. E é exatamente para essa noite que Jesus havia reservado as últimas lições do discipulado. Passemos a examinar as últimas lições de Jesus:

I – Lição do Amor (v. 1)
O texto diz que “tendo Jesus amado os seus, amou-os até o fim”. É um amor sem limites, um amor levado às últimas conseqüências. O escritor Philip Yancey afirma que Deus se assemelha a um pai cego de amor por seu filho, alguém disposto a dar sua própria vida. É um amor sacrificial. Max Lucado, certa vez, lançou a seguinte pergunta: “Sabe por que Jesus morreu na cruz?” Ele mesmo responde: “Porque Deus não se imaginava passar a eternidade sem você!”. Assim, Jesus transmite aos seus aspirantes ao ministério pastoral que é absolutamente impossível ser pastor sem amar. O amor é uma condição imprescindível para o exercício do ministério. O jovem pastor batista Martin Luther King disse: “Aprendemos a nadar como os peixes; a voar como os pássaros; mas, ainda não aprendemos a amar o próximo.
Outro ponto que merece destaque diz respeito ao amor incondicional de Jesus. Somos amados não pelo que fazemos ou deixamos de fazer. Não é um amor baseado numa relação de troca ou barganha. Philip Yancey diz que “não há nada que eu possa fazer para Deus me amar mais; não há nada que eu possa fazer para Deus me amar menos”. Não há nada nesse mundo que abale o amor de Jesus. Jesus amou todos, inclusive Judas.
Judas era um homem acima de qualquer suspeita. Ao contrário do que se pensa, ela era um homem de extrema respeitabilidade no colégio apostólico. Judas era o único discípulo de Jesus que era da Judéia. Todos os outros eram da Galiléia. Assim, Judas gozava de um status mais elevado, porque os judeus provenientes da Galiléia eram considerados impuros, enquanto os judeus da Judéia eram considerados mais devotos, consagrados e justos. A Galiléia era tida como uma terra imunda, porque estava cheia de gentios. Outro aspecto a ser considerado acerca de Judas Iscariotes diz respeito a posição que ocupava dentre os apóstolos. Ele era o único que tinha um cargo e, por sinal, um cargo de confiança. Ele era o tesoureiro do grupo. O único cargo disponível era ocupado por ele.
O texto diz que Jesus lavou os pés de todos os discípulos, inclusive os pés de Judas. Jesus está lavando os pés daquele que, naquela mesma noite, iria traí-lo. Judas era considerado amigo de Jesus. A Bíblia diz que quando Judas se aproximou de Jesus no Getsêmani acompanhado dos guardas e fariseus que prenderiam o prenderiam, Jesus lhe perguntou: “Amigo, para que vieste?” (Mt. 26:50). Max Lucado diz que “a traição é um ato que só um amigo pode cometer”. O inimigo não pode trair porque, para haja traição, é preciso que aconteça entre duas pessoas próximas, amigas e que guardam uma relação de confiança. Jesus nunca considerou Judas como seu inimigo. Pelo contrário, Judas fazia parte do seleto grupo de amigos de Jesus – os 12 discípulos.

II – Lição de Humildade (v. 4-5).
A Bíblia diz que o primeiro ato de Jesus foi “tirar a sua vestimenta” (v. 4). Por que Jesus se despiu da sua roupa? Porque a roupa diz muito acerca de quem nós somos. Há uma máxima contemporânea que diz “você é aquilo que você veste”. A roupa identifica a posição ou mesmo a função que alguém exerce na sociedade. Através da roupa sabemos, claramente, se a pessoa é rica ou pobre. Se é alguém importante ou uma pessoa simples. Isso se deve porque o vestuário indica status. É exatamente por isso que muitas pessoas estão dispostas a pagar R$300,00 reais numa calça jeans. Não se trata daquilo que ela faz (vestir), porque isso qualquer calça faz, mas sim o que ela representa. A roupa é um símbolo de poder. A roupa é um estereótipo que não tem apenas a função de vestir, mas, sobretudo, de caracterizar. A própria vestimenta de Jesus era uma veste utilizada tipicamente por rabinos e mestres da Lei. Era uma roupa valiosa, por isso, após a sua crucificação os guardas lançaram sortes para decidir sobre quem ficaria com suas vestes (Lc 23:34).
Por que Jesus fez isso? Uma excelente maneira de aprendermos acerca de um tema é esgotarmos o que a Bíblia diz sobre determinado assunto. Nesse sentido, é interessante notar que esse evento de lavar os pés é narrado apenas pelo evangelista João. Entretanto, a última ceia é narrada pelos outros evangelistas. O evangelista Lucas, por exemplo, narra um evento muito intrigante que sucedeu durante a última ceia. O capítulo 22 de Lucas é um texto paralelo ao capítulo 13 do Evangelho de João. Portanto, os eventos que acontecem em Lucas 22 são os mesmos que acontecem em João 13. Assim sendo, Lucas narra que durante a ceia os discípulos começaram a debater entre si qual deles seria o maior (Lc 22:24). Alguns comentaristas dizem que foi exatamente no meio dessa discussão que Jesus se levanta e se despoja de sua túnica, ensinando aos seus discípulos o verdadeiro sentido de grandeza no Reino de Deus. Bill Hybels afirma que, para ser grande no Reino de Deus, o cristão deve crescer para baixo. É um crescimento que nos leva a pequenez. No Reino de Deus ninguém sobe degraus rumo à ascensão. A ascensão é a diminuição.
O texto afirma que Jesus tomou uma toalha, deitou água na bacia e passou a lavar os pés dos discípulos. A atitude de Jesus era uma prática comum no Oriente Médio. As ruas não eram pavimentadas e, por isso, as pessoas sujavam muito os seus pés ao caminharem pelas ruas da cidade. Além do mais, o calçado utilizado por todos eram sandálias abertas que propiciavam o contato direto dos pés com a poeira. Assim, quando alguém oferecia um banquete com o intuito de receber convidados importantes, colocava um escravo na porta da entrada para lavar os pés daqueles que chegassem para a refeição. Como pode se observar, Jesus assume uma postura de um escravo.
Lembremo-nos ainda que Jesus é Deus, e, como tal, encontra-se despido de sua glória, envolto em uma toalha, de joelhos, lavando os pés de pecadores. Agostinho dizia que a qualidade indispensável para um verdadeiro cristão é a humildade. Jesus ensina aos seus seminaristas que o exercício do ministério pastoral necessita de pessoas humildes. A palavra humildade é tapeinós (grego), de onde se origina a palavra tapete. Ou seja, a raiz da palavra humildade sugere alguém que está disposto a ser pisado e humilhado. É bom recordar que, anos antes desse evento, o profeta João Batista havia dito que ele não era digno nem mesmo de desatar as sandálias de Jesus (Mc 1:7). No entanto, Jesus, o Deus encarnado, ajoelha-se diante de seus discípulos e, não apenas desata as correias de suas sandálias, mas, ainda, lava os seus pés.

III – Lição de Serviço (v. 14-16).
Jesus mostra aos seus seminaristas que ser pastor é, antes de tudo, ser um servo. Ele conclama os seus apóstolos a se despirem da indumentária eclesiástica e assumirem a forma de um serviçal. Como filhos de Deus, somos chamados a frutificar. O grande pregador e avivalista do século XIX, Dwight L. Moddy, afirmou com muita propriedade: “Ore, como se tudo dependesse de Deus; trabalhe, como se tudo dependesse de você!”. O próprio Moody, ainda, afirmou: “Ser cristão não exige muito de uma pessoa, exige tudo”. O SENHOR nos chama ao serviço e às boas obras.
Conta-se que, certa vez, um jovem viu o árduo trabalho feito pela Madre Tereza de Calcutá junto aos leprosos. Um trabalho árduo, difícil e sem nenhum prestígio nem reconhecimento. Ao presenciar o trabalho da devota freira, ele exclamou: “Eu não faria esse trabalho nem por um milhão de dólares!”. A freira respondeu: “Eu também não!”. Ele perguntou: “Então, por que a senhora o faz?” Madre Tereza, prontamente, lhe respondeu: “Por amor!”.
É curioso saber que o último sermão do grande expositor bíblico John Stott, em 17 de julho de 2007, na Inglaterra, teve o seguinte tema “Tornando-nos mais semelhantes a Cristo”. E no decorrer de sua mensagem, um dos textos examinado foi João13. Assim Jonh Stott discorre: “Quero convidá-los a subir comigo ao cenáculo onde Jesus passou sua última noite com os discípulos. ‘Tirou a vestimenta de cima e, tomando uma toalha, cingiu-se com ela. Depois, deitou água na bacia e passou a lavar os pés aos discípulos e a enxugar-lhos com a toalha com que estava cingido. Ao terminar, retornou ao seu lugar e disse-lhes: Ora, se eu, sendo o SENHOR e o Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns dos outros. Porque eu vos dei o exemplo’. Note-se a palavra – ‘para que, como eu vos fiz, façais vós também’.
Ensinar através do exemplo não é a melhor maneira de influenciar as pessoas e inculcar fortemente os princípios ensinados. É a única. Jesus utilizou diversas formas de ensino para treinar seus discípulos: pregação, parábolas, estudos, atos. Entretanto, aqui ele se utiliza do melhor e mais eficaz método de ensino: o exemplo. Jesus não nos pediu nada daquilo que ele mesmo não tenha feito. O serviço da Igreja tem como paradigma o próprio ministério servil de seu Mestre. Assim, naquela noite de quinta-feira, antes de se despedir dos discípulos, Jesus traz a eles lições preciosas. “Porque eu vos dei o exemplo, para que, como eu vos fiz, façais vós também” (v. 15). A atitude de Jesus é apenas um exemplo. Cabe a nós perpetuarmos os seus ensinamentos.


Rev. Daniel Sampaio Mota

terça-feira, 31 de março de 2009

A Vontade de Deus para a sua vida

A vontade de Deus para sua vida
Efésios 5:17-21

Introdução
Não há nada melhor do que está no centro da vontade de Deus. O apóstolo Paulo afirma que “a vontade de Deus é boa, agradável e perfeita” (Rm 12:2). Recordo-me do grande missionário Simonton, quando, ainda estudante de teologia no Seminário de Princeton (EUA), foi vocacionado por Deus para trazer o evangelho ao Brasil. Seus amigos o alertaram dos grandes perigos que o esperavam. Diante de tantos argumentos contrários a sua vinda, Simonton disse: “o lugar mais seguro para se estar é no centro da vontade de Deus”. Perigoso é estar onde Deus não deseja que estejamos. Perigoso é fazer aquilo que Deus não nos chamou para fazer. Sendo assim, a maior preocupação do cristão deveria ser a busca incessante pela vontade de Deus.
Quando há uma motivação em buscar a vontade de Deus é preciso entender algumas coisas:

1 – A vontade de Deus nem sempre é a nossa vontade (Is 55:8,9);
2 – Às vezes, a vontade de Deus contraria aquilo que tanto desejamos
3 – A vontade de Deus deve estar acima da nossa vontade (Mt 8:10; Mt 26:39)
Esse assunto permeia o capítulo 5 da carta de Paulo aos Efésios. O verso 17 diz: “Procurai compreender qual a vontade do SENHOR”. Portanto, a preocupação de Paulo, neste momento, é desvendar aos crentes que residiam em Éfeso, qual era a vontade de Deus para a vida deles.

1 – Viver uma vida cheia do Espírito Santo (v. 18)

Paulo faz uma analogia excludente entre embriagar-se e viver uma vida plena do Espírito. Porque Paulo faz essa analogia? Em Éfeso havia um culto dedicado ao deus Baco (deus do vinho). Esse culto era marcado pela embriaguez com a qual os seus adoradores se submetiam. Essa adoração era marcada pela dissimulação e torpeza, uma vez que as pessoas, quando sob efeito do álcool, realizavam práticas inaceitáveis. A palavra traduzida como dissolução (no grego, asotia) significa literalmente alguém que vive um vida libertina, desenfreada. Segue abaixo algumas traduções desse texto:
Versão Almeida Revista e Atualizada - “E não vos embriagueis com vinho, no qual há dissolução, mas enchei-vos do Espírito”.

Nova Versão Internacional - “Não se embriaguem com vinho, que leva à libertinagem, mas deixem-se encher pelo Espírito”.

Bíblia de Jerusalém - “E não vos embriagueis com vinho, que é uma porta para a devassidão, mas buscai a plenitude do Espírito.”

O paralelo traçado pelo apóstolo Paulo não é por acaso. Existem semelhanças e diferenças entre uma pessoa que é controlada pelo álcool e uma pessoa que é controlada pelo Espírito Santo. Senão Vejamos
Características de um embriagado:
a) Perde o medo. O camarada era um frouxo, covarde. Mas quando embriaga-se vira um lampião, corajoso, destemido e valentão.
b) Perde a vergonha. O camarada é tímido, introspectivo, comedido. Mas quando embriaga-se fica extrovertido, conversador e desinibido.
c) Perde a tristeza. O sujeito fica alegre, com a auto-estima elevada. Entretanto, essa alegria é passageira, dura apenas os minutos em que ele está sob o efeito do álcool.

Os efeitos produzidos pela embriaguez na vida de uma pessoa são os mesmos produzidos na vida de uma pessoa cheia do Espírito Santo. O homem cheio do Espírito Santo não tem medo, pois compreende que o SENHOR está ao seu lado. Do mesmo modo, não tem vergonha de testemunhar de Cristo, pois sente profunda alegria em fazê-lo. As semelhanças param por aqui. A partir dessas considerações, passemos a pontuar os contrastes entre um e outro.
O Rev. Hernandes Dias Lopes, comentando os desdobramentos da embriaguez, acentua: “O resultado da embriaguez é a dissolução (asotia). As pessoas que estão bêbadas entregam-se a ações desenfreadas, dissolutas e descontroladas. Perdem o pudor, perdem a vergonha, conspurcam a vida, envergonham o lar. Trazem desgraças, lágrimas, pobreza, separação e opróbrio sobre a família. Buscam uma fuga para os seus problemas no fundo de uma garrafa, mas o que encontram é apenas um substituto barato, falso, maldito e artificial para a verdadeira alegria. A embriaguez leva à ruína”.
Entretanto, os resultados produzidos pelo Espírito Santo na vida de uma pessoa são diametralmente opostos. Na embriaguez o homem perde o controle de si mesmo; no enchimento do Espírito ele não perde, ele ganha o controle de si, pois o domínio próprio é fruto do Espírito. Outro fator que merece destaque diz respeito ao curto efeito produzido pelo álcool. Enquanto uma pessoa embriagada tem uma alegria momentânea que, após o efeito do álcool, gera, posteriormente, tristeza e depressão, a pessoa que está cheia do Espírito Santo tem uma alegria que permanece para sempre, independente da situação.
Ainda é importante destacar que esse trecho das Escrituras possui uma dinâmica bem diferenciada. O apóstolo Paulo utiliza um imperativo e quatro particípios: enchei-vos + falando + louvando + dando graças + submetendo. A idéia transmitida é a apresentação de uma ordem e, após isso, quatro passos a serem seguidos com o objetivo de cumprir a ordem dada. Portanto, se a ordem expressa é ser cheio do Espírito, então, agora precisamos examinar os passos que devem ser seguidos para tal enchimento.

Como encher-se do Espírito?
Há que se fazer uma distinção entre ter o Espírito Santo e ser cheio do Espírito Santo. A rigor, todos, absolutamente todos os crentes já são detentores do Espírito Santo. O apóstolo Paulo, nesta mesma carta, afirma que todos os cristãos foram “selados com o Santo Espírito da promessa; o qual é o penhor da nossa herança” (Ef. 1:13). Então, Paulo utiliza-se de duas palavras para afirmar, categoricamente, a presença do Espírito Santo em nós. Primeiramente ele diz que é o selo. Posteriormente, ele diz que é o penhor. A palavra penhor, originalmente é arrabon, referia-se a uma caução, dinheiro dado como sinal para assegurar uma compra. Era uma palavra muito utilizada para aludir a uma transação comercial.
Assim sendo, está explícito o fato de que todo possui um selo, um carimbo, uma caução. Esse selo é o Espírito Santo. Mas, é exatamente aqui que Paulo traça um paralelo importante. Há uma grande diferença em ter o Espírito e ser cheio do Espírito. É o que alguns teólogos chamam de batismo do Espírito e plenitude do Espírito. Portanto, o que o apóstolo Paulo está recomendando não é para as pessoas buscarem o Espírito Santo, pois elas já o possuíam. A recomendação paulina é para que elas se encham do Espírito.
Antes de mergulharmos mais profundamente no texto, duas proposições devem ser consideradas:

a) O batismo com o Espírito Santo é um ato exclusivo da soberania de Deus enquanto a plenitude do Espírito é uma conseqüência da vida de santidade que levamos diante do SENHOR. Ninguém pode ser cheio do Espírito vivendo na prática do pecado. Ninguém pode ser cheio do Espírito com atitudes e comportamentos que comprovem exatamente o contrário.
b) O batismo com o Espírito Santo é um ato único, enquanto a plenitude do Espírito deve ser cultivada diariamente na vida de cada crente. Enquanto o batismo é feito por Deus, o enchimento tem a participação humana. Uma vida cheia do Espírito é o resultado de uma vida piedosa e consagrada ao SENHOR.

“Enchei-vos” não é uma proposta alternativa, uma opção, mas um mandamento de Deus. Ser cheio do Espírito é obrigatório, não opcional. Não ser cheio do Espírito Santo é pecado. O verbo encher está no imperativo o que indica ser uma ordem expressa. Certa vez, em uma Igreja Batista do Sul dos EUA, um diácono foi excluído da igreja por embriaguez. Billy Graham perguntou: algum diácono já foi excluído por não ser cheio do Espírito Santo? A recomendação de Deus para a Igreja é que seus líderes sejam, antes de tudo, homens e mulheres cheios do Espírito Santo (Atos 6:3).
Para viver uma vida cheia do Espírito Santo é preciso:

1 – Encher-se da Palavra
A primeira orientação do apóstolo Paulo é “Falando entre vós com salmos...” (v. 19). O livro dos Salmos é uma porção das Escrituras. O conhecimento que temos da Bíblia é igual ao conhecimento que temos acerca de Deus. Uma vez que a Palavra de Deus é a única fonte fidedigna da revelação divina, ela goza do status de verdadeiro conhecimento. Assim sendo, se o cristão deseja conhecer mais acerca do Deus a quem serve, não há outro lugar para adquirir tal conhecimento senão nas Escrituras. É importante notar que as palavras proferidas pelo cristão cheio do Espírito Santo tem como base a Palavra de Deus. Na carta endereçada à Igreja em Colossos, o apóstolo recomenda: “Habite, ricamente, em vós a palavra de Cristo...” (Cl 3:16).

2 – Viver em Adoração
O apóstolo segue dizendo “entoando e louvando de coração ao SENHOR” (v. 19). Não se trata de uma adoração fria e desprovida de sentido. Pelo contrário, é feita de coração. Às vezes nos queixamos da frieza de nossos cultos na Igreja. Caio Fábio, certa vez, disse: “Se não há culto na vida, não há vida no culto”. Assim, aquilo que acontece no culto dominical é o resultado daquilo que aconteceu durante a semana. Uma vida fria produzirá um louvor frio e, no máximo, morno. Nessa perspectiva, o servo de Deus que deseja ser cheio do Espírito Santo deve adotar a adoração não como um simples momento cúltico, mas como um estilo de vida.

3 – Ter um coração grato
Em seguida, o apóstolo Paulo acrescenta: “dando sempre graças por tudo a nosso Deus e Pai...” (v. 20). O crente cheio do Espírito está cheio não de queixas, de murmuração, mas de gratidão. A história do povo de Israel nos mostra claramente que não há nada que aborreça mais a Deus do que a murmuração. O coração do homem é um poço de insatisfação. Nós adoramos a Deus pelo que ele é, mas agradecemos por aquilo que Ele faz. A Palavra de Deus assim nos recomenda: “em tudo, daí graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco” (I Ts 5:18).

4 – Ser submisso
O verso 21 completa: “Sujeitando-vos uns aos outros no temor de Cristo”. Uma pessoa cheia do Espírito não pode ser altiva, arrogante e nem mesmo soberba. A submissão é um conceito que poucos estão aptos a seguir. Isso se dá porque a submissão exige que nós abramos mão do nosso orgulho. A submissão requer, acima de tudo, humildade. Charles Swindoll disse que a humildade é a única virtude que nunca alcançaremos na sua plenitude. Aquele que um dia achar que alcançou a humildade acabou de perdê-la.
A submissão irá permear todos os nossos relacionamentos interpessoais. Uma leitura cuidadosa do final do capítulo 5 de Efésios perceberá que a submissão irá balizar os relacionamentos conjugais, os relacionamentos familiares (pais-filhos) e os relacionamentos trabalhistas. Assim sendo, o cristão cheio do Espírito Santo não é alguém que vive a plenitude do Espírito apenas na Igreja, mas seus frutos estão espalhados por onde quer que ele passa. É exatamente fora dos portões da Igreja que temos a maior necessidade de sermos cheios da graça do SENHOR.
Rev. Daniel Sampaio Mota

Celebração do Amor

Celebração do Amor
Cântico dos cânticos

“O casamento pode ser um jardim engrinaldado de flores ou um deserto causticante e inóspito. O casamento pode ser um lugar de liberdade ou uma prisão e uma masmorra, lugar insalubre e perigoso. O casamento pode ser um projeto de felicidades ou uma arena de brigas, contendas, decepções e lágrimas” (Rev. Hernandes Dias Lopes, sermão pregado no programa Verdade e Vida).

Introdução
O projeto de Deus é que a nossa casa seja uma antecipação do céu. O nosso lar deve ser o lugar mais desejado, o lugar mais gostoso para se estar. Entretanto, isso está muito distante de ser uma realidade na vida de muitos casais. Por quê? Proponho uma análise do casamento na história.
Na Idade Média, o casamento era considerado um mal necessário. O casamento havia acontecido por causa da queda. Entretanto, aqueles que desejavam viver uma vida de santidade deveriam, obrigatoriamente, absterem-se do casamento e, por conseguinte, das relações sexuais, assumindo assim o voto do celibato. Ainda hoje, há uma corrente mais conservadora do catolicismo que defende que o sexo tem como único objetivo a procriação.
Os reformadores trouxeram uma nova visão acerca do matrimônio. João Calvino afirmou que o vínculo do casamento é mais sagrado que o vínculo que prende os filhos aos seus pais. Os puritanos, por sua vez, resgataram o princípio de que o casamento é um estado de excelência maior do que o celibato. O casamento foi instituído por Deus antes da queda. Os puritanos acreditavam que o casamento e a família era a forma mais sublime de Deus expressar o seu amor.

Curiosidades do livro de Cantares
No hebraico é definido como shir hashirim (o mais excelente dos cânticos). Na Septuaginta, Asma ou Asma Asmáton. Na Vulgata latina Canticum Canticorum. O nome do livro é uma expressão que está no grau superlativo: “o mais belo de todos os cânticos”.
Alguns rabinos proíbem a leitura para menores de 30 anos de idade. O conteúdo do livro é tão diferente de todo o restante da Bíblia que muitas pessoas chegam a se perguntar o que este livro está fazendo na Bíblia. Entretanto, este livro é tido pelos judeus como um dos mais importantes livros poéticos. Inclusive, ele está incluído no Meguilot (conjunto de 5 livros do cânon judaico que são lidos apenas em dias de festa). O livro de Cantares é tão importante que sua leitura é feita na mais importante data do judaísmo: a páscoa.
Dada a complexidade do livro, alguns biblistas sugerem diferentes sentidos para ele. Há basicamente três sentidos atribuídos ao livro de Cantares, sendo eles:
1 – Sentido Histórico: A saudade do povo pelo seu rei (remontando o período do exílio);
2 – Sentido Literal: O amor decidido entre um casal apaixonado;
3 – Sentido Alegórico: O amor entre Cristo e sua Igreja; Iawé e Israel
Mas qual é a intenção principal do livro de Cantares? O livro é a celebração de um casamento. Entretanto, o tema central do livro não é casamento, mas o amor. Contudo, o autor sagrada expressa no casamento a expressão máxima do amor. O livro de Cantares é um convite de volta ao paraíso. Sua narrativa é descrita através de um cântico pré-nupcial, onde o noivo e a noiva declamam versos de amor um ao outro.
Os judeus levam o matrimônio muito a sério. O casamento, dentro do judaísmo, tem uma dimensão espiritual. Não são apenas duas pessoas que se juntam, mas duas criaturas que fazem uma aliança eterna diante de Deus. Alguns consideram o dia do casamento como o Yom Kippur pessoal. Por isso, os noivos são orientados a recitar salmos e buscar a santificação, pedindo perdão pelos pecados cometidos no passado, enquanto se purifica e se prepara para o futuro.
A celebração do amor no casamento
1 – Passa pelo romantismo
Romantismo por parte do homem (2: 10-14; 4:9-11)
Romantismo por parte da mulher (1:2-4)
“desfaleço de amor” (2:5)
“que desfaleço de amor” (5:8)
Foi realizada uma pesquisa recentemente para levantar quais são as principais queixas por parte das mulheres no relacionamento conjugal. Os números são impressionantes:
95% das mulheres reclamam da falta de romantismo;
98% das mulheres reclamam da falta de carinho.
Ou seja, a principal queixa das mulheres diz respeito à afetividade. Não há nada que fira mais o coração de uma mulher do que a rudez do marido. A grosseria causa feridas profundas na alma de uma mulher. Sabe qual é a função principal do homem no casamento? Alguns acreditam que a provisão. Entretanto, o apóstolo Paulo, escrevendo aos efésios, destaca que a função primeira do homem é amar. “Maridos, amai vossa mulher...” (Ef. 5:25).

Seja romântico! Quando vocês namoravam, tudo o que você fazia tinha um único objetivo: impressionar. E você era criativo. É preciso resgatar a criatividade dentro do relacionamento. Qual a última loucura que você fez por seu cônjuge?

2 – Passa pelo elogio
Elogio por parte do homem (1:8-11). Este é um homem atento, que nota os mínimos detalhes da mulher. Note que, neste verso, Salomão está reparando atentamente nos detalhes da roupa e enfeites de sua esposa. A própria mulher reconhece que o seu esposo é um conquistador (5:16).
Elogio por parte da mulher (5:10-15). Esta mulher elogia o porte físico do seu marido.
Nunca deixe de elogiar o seu cônjuge.

3 – Passa pelo prazer sexual

(7:1-2) – Salomão descrevendo a nudez de sua esposa
(7:10-13) – Sulamita convidando seu esposo a fazer amor com ela
Não devemos ter vergonha de falar sobre aquilo que Deus não teve vergonha de criar. O que é o livro de Cantares? É um cântico pré-nupcial, recheado de uma linguagem erótica. Ao examinarmos o texto de 1 Coríntios 7:3-5, percebemos que aquilo que é proibido fora do casamento é ordenado dentro do casamento. O sexo é uma ordenança de Deus. A primeira ordem, ou mandamento, registrado no livro de Gênesis é “sede fecundo e multiplicai-vos...” (Gn 1:28).
O livro de Provérbios declara: “Seja bendito o teu manancial, e alegra-te com a mulher da tua mocidade, corça de amores e gazela graciosa. Saciem-te os seus seios em todo o tempo; e embriaga-te sempre com suas carícias” (Prov. 5;18,19).

4 – Passa pela valorização (8:7)
Hoje a riqueza de um homem é calculada pela quantidade de bens que ele possui. O respeito é baseado na conta bancária. A felicidade é o resultado daquilo que o homem conquistou. Por isso, a busca pela felicidade está fora do seu lar: é o sucesso no trabalho e a ascensão profissional. Entretanto, as Escrituras apresentam um tesouro mais elevado. A felicidade não está fora, mas dentro da nossa casa (Sl 127:1,2). Dr. Augustus Nicodemos disse “aquele que não é feliz dentro de casa não pode ser feliz em lugar algum”. A maior riqueza é a família!
O valor que damos a determinadas coisas está intimamente ligado ao tempo que dedicamos a ela. Assim, se queremos, de fato, valorizar nossa família, devemos, então, dispensar tempo para ela. O melhor do seu tempo deve ser para o seu cônjuge.


5 – Pelo sacrifício (Efésios 5: 25-33)

O amor é sacrificial. Amar tem um preço. E o preço do amor é muito alto porque dinheiro nenhum no mundo pode comprar o amor. O apóstolo Paulo afirmou que “ainda que eu distribua todos os meus bens aos pobres..., se não tiver amor, nada disso me aproveitará” (I Co 13:3). C. S. Lewis disse que “amar é doar-se a si mesmo”.
O maior paradigma do amor é Deus. É um amor incondicional. Philip Yancey disse: “não há nada que eu possa fazer para Deus me amar mais; não há nada que eu possa fazer para Deus me amar menos”. Não há nada que faça Deus mudar de idéia. Não há absolutamente nada que arranhe o amor dele por nós. Quando Paulo disserta acerca do relacionamento conjugal, é exatamente esse tipo de amor que ele evoca. Assim como Deus amou a Igreja, assim também o marido deve amar sua esposa. Percebe, em nenhum lugar há uma recomendação dizendo para a mulher amar o marido. O que a Bíblia requer é que a mulher honre o seu esposo. Mas, a função de amar é dada ao homem. O homem foi feito para amar e a mulher para ser amada.
O nosso amor não deve ser baseado numa relação de barganha. Mas numa doação integral ao nosso cônjuge.



Conclusão
Para a conclusão deste sermão, gostaria de compartilhar um fragmento de um poema de Kalil Gibram, em sua obra O Profeta:

Alguém pediu ao profeta: “Fala-nos sobre o amor”
Ele ergue a fronte e olhou para a multidão,
E um silêncio caiu sobre todos, e com uma voz forte, disse:
Quando o amor vos chamar, segui-o,
Embora seus caminhos sejam agrestes e escarpados;
E quando ele vos envolver com suas asas, cedei-lhe,
Embora a espada oculta na sua plumagem possa ferir-vos;
E quando ele vos falar, acreditai nele,
Embora sua voz possa despedaçar vossos sonhos como o vento devasta o jardim.
Pois, da mesma forma que o amor vos coroa, assim ele vos crucifica.
O amor nada dá senão de si próprio
E nada recebe senão de si próprio
O amor não possui, nem se deixa possuir
Porque o amor basta-se a si mesmo.
Rev. Daniel Sampaio Mota