terça-feira, 6 de abril de 2010

O homem que escapou da cruz

O homem que escapou da cruz
Mateus 27:11-26

Introdução
Jesus está diante de um tribunal. Este tribunal é diferente de todos os outros tribunais já forjados na terra. De um lado estão os homens, representando a promotoria cujo papel é acusar. Do outro lado está Jesus, o Deus encarnado, na condição de réu. De um lado estão os homens, pecadores, corruptos e injustos. Do outro lado Deus, santo, onipotente e justo. Este foi o dia na história da humanidade onde os homens julgaram a Deus.
Jesus enfrentou seis julgamentos, sendo três julgamentos na esfera religiosa e três julgamentos na esfera civil.
• 3 julgamentos religiosos:
- Na casa de Anás (ex-sumo sacerdote);
- Na casa de Caifás (sumo sacerdote em exercício);
- No Sinédrio (Conselho de Anciãos – composto por 70 homens).
• 3 julgamentos civis:
- Diante de Pilatos;
- Diante de Herodes;
- Diante de Pilatos.
Em seus seis julgamentos, Jesus foi condenado em todas as instâncias. No tribunal religioso ele foi condenado à pena de morte pelo crime de blasfêmia, por se denominar Filho de Deus, ou seja, intitular-se como Messias. No tribunal civil Jesus foi condenado à pena de morte pelo crime de insurreição e rebelião, por se denominar rei. Diante do tribunal humano, Jesus foi considerado culpado.
Entretanto, existem duas marcas fortíssimas no julgamento de Jesus: ilegalidade e injustiça. Senão, vejamos:
1 - Todos os julgamentos de Jesus aconteceram de madrugada. Jesus foi preso entre duas e três horas da madrugada. Às nove horas da manhã já estava pendurado na cruz, ou seja, em menos de seis horas Jesus já havia passado por seis julgamentos diferentes.
2 – Jesus não teve direito a um advogado. Outro aspecto que merece ser pontuado é o fato que Cristo não teve direito a nenhum advogado, pois já naquela época havia a figura do defensor, amparado inclusive pela lei romana vigente. Nesse sentido, foi-lhe negado o direito ao contraditório e a ampla defesa. A Bíblia afirma que Jesus permaneceu em silêncio diante do seu julgamento. Assim o evangelista Marcos narra o julgamento de Pilatos: “Tornou Pilatos a interrogá-lo: Nada respondes? Vê quantas acusações te fazem! Jesus, porém, não respondeu palavra, a ponto de Pilatos muito se admirar” (Mc 15:4,5).
3 – A sentença baseou-se em falsas testemunhas. O evangelista Marcos registra o depoimento das testemunhas: “E os principais sacerdotes e todo o Sinédrio procuravam algum testemunho contra Jesus para o condenar à morte e não o achavam. Pois muitos testemunhavam falsamente contra Jesus, mas os a depoimentos não eram coerentes” (Mc 14:55,56). O evangelista Mateus é mais enfático ao afirmar a busca dos sacerdotes por testemunhos acusatórios falsos: “Ora, os principais sacerdotes e todo o Sinédrio procuravam algum testemunho falso contra Jesus, a fim de o condenarem à morte” (Mt 26:59).
4 – A condenação veio sem que nada de concreto pudesse ser provado contra ele. No julgamento civil a Bíblia afirma: “Disse Pilatos aos principais sacerdotes e ás multidões: Não vejo neste homem crime algum” (Lc 23:4).
Exatamente neste interstício do julgamento de Jesus que surge uma figura singular. Trata-se de um homem chamado Barrabás. Mas, afinal de contas, quem é Barrabás? Barrabás é um criminoso, assassino, rebelde e agitador. Alguém que queria tomar o poder através da violência. Charles Swindoll diz que a figura contemporânea que mais se aproxime de Barrabás é o terrorista. Barrabás estava na lista dos homens mais procurados do império romano.
A Bíblia afirma que Barrabás foi introduzido no julgamento de Jesus: “Ora, por ocasião da festa, costumava o governador soltar ao povo um dos presos, conforme eles quisessem. Naquela ocasião tinham eles um preso muito conhecido, chamado Barrabás. Estando, pois, o povo reunido, perguntou-lhes Pilatos: A quem quereis que eu vos solte, a Barrabás ou a Jesus, chamado o Cristo” (Mt 27:15-17).
Este é o cenário deste tribunal. De um lado Jesus (Deus, santo, justo, perfeito e puro) e do outro Barrabás (pecador, violento, assassino e rebelde). Mesmo diante da discrepância entre esses dois homens, a Bíblia diz que Jesus foi condenado e Barrabás foi liberto. Cristo foi sentenciado à morte e Barrabás foi absolvido de seus crimes. Jesus iria para a cruz e Barrabás voltaria para casa.
Diante disso, podemos questionar: Por que esse homem escapou da cruz?

I – Porque Jesus tomou o seu lugar (v. 17).
Três homens seriam crucificados naquela sexta-feira: um assassino e dois ladrões, Barrabás e outros dois homens. Aquela cruz do meio estava reservada para Barrabás.
Barrabás estava no corredor da morte, esperando apenas a execução da sua sentença. Portanto, Barrabás sabia que a cruz do meio era para ele. Aqueles cravos eram para ele. Aquele sofrimento estava reservado para ele.
Na teologia há o que chamamos de tipologia, ou seja, algo que simbolizava ou tipificava algo maior. Por exemplo, o reino de Davi tipificava o reino do Messias que seria estabelecido; Gênesis 22, quando Deus pede para Abraão sacrificar seu único filho Isaque, é uma tipologia do que Deus haveria de fazer com seu único filho; quando Oséias casa com uma prostituta o propósito é mostrar ao povo o adultério espiritual que a nação estava vivendo.
Sendo assim, neste texto Barrabás tipifica alguém: você! O que Cristo fez por Barrabás morrendo em seu lugar, foi exatamento o que Ele fez por nós: morreu no nosso lugar. Aquela cruz do meio era minha. Aquela cruz do meio era sua. Jesus ao invés de Barrabás significa Cristo ao invés de nós.
Deus não seria injusto se mandasse todos nós para o inferno. Na verdade, ele estaria exercendo sua justiça. Nós não merecemos ir para o céu. Nada do que você faça pode te levar para o céu. Por mais que você tente, por mais que você se esforce. A salvação não é alcançada por aquilo que fazemos, mas por aquilo que Cristo fez. Isso chama-se graça. Calvino chamou isso de Graça Irresistível. Charles Swindoll disse que “Deus construiu uma estrada para o céu. Esse caminho foi pavimentado com o sangue de Cristo”.

II – A morte de Jesus garantiu a sua liberdade (v. 26)
Páscoa significa libertação. A festa da Páscoa foi instituída para comemorar a libertação do povo do Egito (Êxodo 12). Não tem nenhuma ligação com coelho ou ovos de chocolate. Na noite que antecedeu a libertação do povo, Deus mandou a última praga: a morte dos Primogênitos. O povo de Deus deveria entrar em suas casas, sacrificar um cordeiro tomar o sangue do animal e aspergir sobre os umbrais e sobre as portas. Naquela mesma noite o anjo da morte iria passar por sobre a terra do Egito e ceifar a vida de todos os primogênitos, com exceção daqueles que estivessem nas casas marcadas pelo sangue do cordeiro morto na noite pascal. Assim diz a Bíblia: “O sangue vos servirá por sinal nas casas...” (Ex 12:13). A morte do cordeiro pascal garantiu a vida e a libertação do povo no Egito.
Por semelhante modo, o derramamento do sangue de Cristo, o cordeiro de Deus, garantiu a liberdade de Bartimeu. Jesus foi sentenciado para que ele pudesse alcançar a anistia. O apóstolo Paulo afirma que “Para liberdade foi que Cristo nos libertou” (Gl 5:1).

Conclusão
No ano de 2005 a revista Superinteressante publicou uma matéria com o seguinte título: Quem matou Jesus? No decorrer da matéria, os autores traziam cinco teses diferentes:
1 – os romanos;
2 – os judeus;
3 – a multidão insensata;
4 – os líderes judaicos que manipularam a multidão;
5 – Pilatos.
Biblicamente, todas estas respostas estão erradas. Conquanto, todas essas pessoas tenham tido participação na execução de Cristo, nenhuma delas pode ser responsabilizada individualmente. Segundo o ensino das Escrituras, somente uma pessoa pode ser declarada culpada pela morte de Jesus: você! Ele morreu por sua causa. Você é o grande motivo da morte de Jesus.
Rev. Daniel Sampaio Mota

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Um Evangelho para todos

Um Evangelho para todos
Lucas 18:35-43; 19:1-10
O Evangelho é uma mensagem universal. Não pertence a um grupo seleto de pessoas. Não é uma herança étnica ou cultural. Conquanto o Evangelho tenha suas raízes na nação de Israel, o propósito de Deus nunca foi que a mensagem das boas-novas da salvação ficasse enclausurada a um povo. Quando Deus chamou o patriarca Abraão, deixou claro que sua intenção era, a partir dele, abençoar todas as famílias da Terra, como segue a narrativa do texto sagrado: “Em ti serão benditas todas as famílias da Terra” (Gn 12:3). O apóstolo Paulo confirmou a Timóteo que o SENHOR “deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade” (1 Tm 2:4).
A passagem em questão nos remete a dois eventos que aconteceram na mesma cidade. Trata-se de dois homens que residiam em Jericó: Bartimeu e Zaqueu. Um, Jesus encontrou na entrada da cidade (Lc 18:35); o outro, Jesus encontrou no centro da cidade (Lc 19:1). Bartimeu era um homem pobre, mendigo e cego. Zaqueu era um homem rico, abastado, funcionário público (publicano, fiscal da receita). Enquanto Bartimeu vivia do lado de fora da cidade, Zaqueu vivia luxuosamente na parte mais requintada de Jericó.
Bartimeu era um homem muito conhecido em Jericó por causa do seu infortúnio. Zaqueu era conhecido em Jerico por sua riqueza. Dois homens completamente diferentes, mas com muita coisa em comum. Ambos carentes da graça de Deus. Bartimeu vive à margem da sociedade. É um homem infeliz por causa de sua condição de miserabilidade. Zaqueu pertence às mais altas camadas da sociedade. Um homem que fez fortuna, fez riqueza, mas alguém, igualmente, infeliz. Em suma: um é triste em sua pobreza; o outro é triste mesmo apesar da sua riqueza.
Zaqueu e Bartimeu representam um protótipo da sociedade pós-moderna. Tipificam o paradoxo e a discrepância social. Uma mesma cidade abriga ricos e pobres. A pobreza e a riqueza convivem lado a lado; onde a riqueza, que se concentra nas mãos de um grupo pequeno, é construída a partir da pobreza de uma maioria. Bartimeu tipifica a figura do explorado e Zaqueu do explorador. Bartimeu simboliza o oprimido e Zaque o opressor. Esses personagens são engrenagens de uma mesma máquina social. Encontramos aqui a gênese do capitalismo.
Outra semelhança entre esses dois homens diz respeito ao encontro que ambos tiveram com Jesus e nos dois casos a multidão aparece como um obstáculo para ambos (18:39; 19:3). Contudo, esse acontecimento na cidade de Jericó marca a vida desses homens. A partir da experiência de Bartimeu e Zaqueu, vemos que as portas do Evangelho estão abertas para todos os homens.

1 – Ambos, independentemente de sua condição, carecem de Deus (18:38; 19:4).

A Bíblia confirma que Bartimeu se utilizava de uma capa no seu trabalho de mendicância. Os biblistas afirmam que aquela capa lhe fora dada pelas autoridades romanas e funcionava como uma espécie de licença para esmolar. Em outras palavras, Bartimeu é um pedinte regulamentado pelo Estado – uma política social sectária. Por outro lado, Zaqueu era maioral dos publicanos. Colhia os dividendos da injustiça social. Sua riqueza era sustentada a partir da pobreza de outros.
Do ponto de vista social estes homens são completamente diferentes. Do ponto de vista espiritual a situação deles é idêntica. Em termos de salvação não há nada que seu dinheiro passa fazer por você! Um é pobre e está perdido. O outro é rico e está igualmente perdido.
Todos Necessitam da graça de Deus. Se você é rico, está perdido! Se você é pobre, está perdido! Alguém já disse que existe um lugar onde somos todos iguais: no caixão. A morte é implacável e não respeita condição social. Absolutamente todos terão que enfrentá-la e, portanto, carecemos da graça de Deus.

2 – Ambos recebem de Jesus a mesma atenção (18:40; 19:5)

Vivemos em uma sociedade onde você vale aquilo que você tem. Você vale o carro que possui. A maneira como você se veste determinará a maneira como as pessoas tratarão você. Entretanto, esse não é o tratamento que Jesus dava às pessoas. A mesma atenção dada ao rico foi dada ao pobre. Jesus não tem predileções. O tratamento de Deus é igual para todos. Nos dois casos, Jesus está caminhando com uma multidão de discípulos. E, em ambos os casos, Jesus pára para atender os dois homens.

3 – Ambos são curados (18:41,42; 19:8)

Bartimeu é curado de uma enfermidade física – cegueira.
Zaqueu é curado de uma enfermidade espiritual – avareza.



4 – Ambos são salvos (18:43; 19:9)

O texto sagrado deixa duas informações preciosas que apontam para a conversão destes dois homens. Quanto a Bartimeu, a bíblia diz: “Imediatamente, tornou a ver e seguia-o glorificando a Deus” (18:43, grifo meu). Aquele que antes estava à beira do caminho agora encontra-se no Caminho. Semelhantemente, a Escritura registra a confissão de fé de Zaqueu: “SENHOR, resolvo dar aos pobres a metade dos meus bens; e, se nalguma cousa tenho defraudado alguém, restituo quatro vezes mais” (19:8). O evangelista Lucas registra que, diante de tão grande prova de conversão, Jesus exclama: “Hoje, houve salvação nesta casa” (19:9).

CONCLUSÃO
A presença de Jesus na cidade de Jericó tem um significado histórico e espiritual. A cidade de Jericó foi a primeira grande cidade a ser destruída e conquistada por Josué na tomada da Terra Prometida. Havia uma grande muralha que protegia aquela cidade de seus inimigos. Quando as muralhas, milagrosamente, vieram a baixo, Josué pronunciou uma maldição: “Maldito diante do SENHOR seja o homem que levantar e reedificar esta cidade de Jericó: com a perda do seu primogênito a fundará, e com a perda do seu filho mais novo lhe colocará as portas” (Js 6:26).
Contudo, não atendendo à Palavra de Deus, durante o reinado do perverso rei Acabe, Jericó foi reconstruída (I Reis 16:34). A reconstrução da cidade aconteceu com o consentimento do rei através de Hiel. Conforme a palavra de Josué, ao lançar os fundamentos da cidade perdeu seu primogênito, e, quando assentou as portas, perdeu seu filho caçula.
Este fato é importantíssimo de ser considerado. O muro simboliza a separação. Portanto, quando Jesus dirigi-se à cidade de Jericó, ele atende a Bartimeu que está fora dos muros e a Zaqueu que está dentro dos muros. Pois em Cristo, os muros simplesmente não existem.
Antes de Cristo havia uma separação entre Deus e o homem, e entre o homem e seu próximo. A construção daquele muro custou morte do primogênito de Hiel. A derrubada dos muros que nos separavam de Deus e de nossos semelhantes custou a vida do Unigênito Filho de Deus. O apóstolo Paulo confirma essa verdade, ao afirmar: “Mas, agora, em Cristo, Jesus, vós, que antes estáveis longe, fostes aproximados pelo sangue de Cristo. Porque ele é a nossa paz, o qual de ambos fez um; e, tendo derribado a parede da separação que estava no meio, a inimizade, aboliu, na sua carne, a lei dos mandamentos na forma de ordenanças, para que dos dois criasse, em si mesmo, um novo homem, fazendo a paz, e reconciliasse ambos em um só corpo com Deus, por intermédio da cruz, destruindo por ela a inimizade. E, vindo, evangelizou paz a vós outros que estáveis longe e paz também aos que estavam perto; porque, por ele, ambos temos acesso ao Pai em um Espírito” (Ef. 2:13-18, grifo meu).
Sendo assim, em Cristo, todos os muros ruíram. O véu do templo se rasgou. Já não há mais nenhum obstáculo que nos impeça a entrarmos na presença de Jesus.
Rev. Daniel Sampaio Mota

quarta-feira, 10 de março de 2010

Como atravessar a efermidade sem perder a fé

Como atravessar a enfermidade sem perder a fé


Introdução

A enfermidade é algo que afeta todos nós. Ela não respeita cor, sexo, idade ou condição social. Ela atinge homens e mulheres, crianças e velhos, pobres e ricos, crentes e incrédulos. Todos nós, em algum momento de nossas vidas, já tivemos que enfrentar uma enfermidade. O Rev. Hernandees Dias Lopes, com muita propriedade, disse que “a vida é a professora mais implacável que existe, porque primeiro ela aplica a prova e só depois ensina a lição. Na escola é diferente, primeiro aprendemos a lição e só depois é que vem a prova. Na vida há uma inversão, por isso, nenhum de nós está preparado para enfrentar uma enfermidade”. Conquanto a doença seja uma possibilidade universal, onde todos estão sujeitos, é um grande desafio teológico. Como conciliar a bondade de Deus com as conseqüências dolorosas da enfermidade?
Esse tema já foi debatido por inúmeros homens no percurso a história. C.S. Lewis afirmou que “Deus sussurra em nossos prazeres, mas grita em nossas dores”. Em um livro que se popularizou muito em nossos dias, Porque Coisas Ruins Acontecem a Pessoas Boas, o autor, que perdeu sua filha adolescente para a leucemia, passa o livro inteiro tentando explicar como Deus poderia ter permitido que isso acontecesse. A resposta que ele deu, em suma, foi a seguinte: Deus é bom, mas não há nada que ele possa fazer acerca do sofrimento. Ele não pode interferir. Suas mãos estão atadas. Ele não é culpado. Ele não pode ser acusado.
Entretanto, essa conclusão não é o resultado de um estudo apurado na palavra de Deus acerca da doença. Muito daquilo que tem sido dito sobre doenças partem de experiências pessoais de homens e mulheres que expressaram seus dilemas teológicos frente à enfermidade. Portanto, antes de ser uma análise bíblica e teológica são elucubrações de alguém que busca respostas para seus próprios questionamentos.
Por isso, quero convidá-lo a examinar quatro casos de enfermidade registrados no Novo Testamento, precisamente nas cartas paulinas, com o intuito de elaborar uma reflexão bíblica sobre o assunto. O tema de nossa mensagem é Como Atravessar a Enfermidade Sem Perder a Fé.

1º Caso: Trófimo – auxiliar de Paulo que o acompanhou na terceira viagem missionária
“Quanto a Trófimo, deixei-o doente em Mileto” (2 Tm 4:20)

2º Caso: Timóteo – jovem pastor da cidade de Éfeso, filho espiritual do apóstolo Paulo e amigo leal (das 13 cartas do apóstolo há 8 referências a Timóteo)
“Não continues a beber somente água; usa um pouco de vinho, por causa do teu estômago e das tuas freqüentes enfermidades” (1 Tm 5:23)

3º Caso: Epafrodito – amigo pessoal de Paulo e cooperador do ministério pastoral do apóstolo. Era um dos mensageiros encarregados de levar às igrejas as cartas de Paulo.
“Julguei, todavia, necessário mandar até vós Epafrodito, por um lado, meu irmão, cooperador e companheiro de lutas; e, por outro, vosso mensageiro e vosso auxiliar nas minhas necessidades; visto que ele tinha saudade de todos vós e estava angustiado porque ouvistes que adoeceu. Com efeito, adoeceu mortalmente; Deus, porém, se compadeceu dele e não somente dele, mas também de mim, para que eu não tivesse tristeza sobre tristeza. Por isso, tanto mais me apresso em manda-lo, para que, vendo-o novamente, vos alegreis, e eu tenha menos tristeza. Recebei-o, pois, no Senhor, com toda alegria, e honrai sempre a homens como esse; visto que, poir causa da obra de Cristo, chegou ele às portas da morte e se dispôs a dar a própria vida, para suprir a vossa carência de socorro para comigo” (Fp 2:25-30)

4º Caso: Apóstolo Paulo – o principal evangelista e teólogo da Igreja
“Por causa disto, três vezes pedi ao Senhor que o afastasse de mim. Então ele me disse:A minha graça te basta, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza” (2 Co 12:8,9a)
“E vós sabeis que vos preguei o evangelho a primeira vez, por causa de uma enfermidade física” (Gl 4:13).

A partir desses quatro casos (Trófimo, Timóteo, Epafrodito e Paulo), iremos analisar e extrair algumas premissas acerca da enfermidade que acomete o cristão.


1 – Até os filhos de Deus mais consagrados ficam enfermos

Os quatro exemplos envolvem líderes cristãos altamente notáveis, estimados e maduros. O apóstolo Paulo com seus escritos constitui a espinha dorsal da teologia cristã. Foi o maior teólogo e o maior plantador de Igreja. Um homem sem igual cujo currículo ministerial contemplava inclusive arrebatamento (2 Co 12:1-6). Os outros três homens foram líderes notáveis da Igreja Primitiva e companheiros fiéis do apóstolo.
A Bíblia diz que suas qualidades espirituais e ministeriais não impediram que os mesmos fossem acometidos por enfermidades. E, por conseguinte, sendo homens de uma grande estatura espiritual, não obtiveram a desejada cura divina. O Antigo Testamento também registra um caso emblemático. Eliseu, o grande profeta de Israel e instrumento de Deus para curar diversas pessoas, morre após o agravamento de uma enfermidade (2 Re 13:14,20).
Será que estes homens não tinham fé? Será que esses homens não oraram pedindo a Deus que os curasse? Definitivamente, não! Eram grandes homens de Deus. Mas, estes quatro casos vêm nos ensinar que o sofrimento não é incompatível com a vida cristã. Portanto, se você é um servo fiel a Deus e está passando por momentos de grande tribulação e tristeza, sendo varrido e consumido pela enfermidade, lembre-se: até os filhos de Deus mais consagrados ficam enfermos.



2 – Fazer a obra de Deus e estar no centro da vontade de Deus não nos isenta de enfermidades
Há uma tendência natural dos cristãos em atribuir a causa de doenças a pecados. Entretanto, todos estes homens estavam fazendo a obra de Deus e estavam exatamente no centro de sua soberana vontade.
A história da Igreja registra inúmeros casos de homens que foram instrumentos poderosos nas mãos do SENHOR e, mesmo assim, experimentaram as agruras da enfermidade. O grande reformador João Calvino era um homem extremamente enfermo, pois tinha asma, úlcera gástrica e cálculo renal. No entanto, pregava duas vezes todos os dias. No domingo chegava a fazer três pregações. Visitava, aconselhava, palestrava, estudava e correspondia-se com gente do mundo inteiro. Richard Baxter, pastor reformado do século XVII, sofria de várias e graves enfermidades. As constantes dores de dente, dores estomacais e hemorragias o fizeram ser tratado por 35 médicos diferentes, sem contudo dar solução aos seus problemas. Entretanto, esse grande pregador mantinha um trabalho constante de visitação, aconselhamento e pregação.
Esses são exemplos de homens que viveram no centro da vontade de Deus mas não foram poupados dos males da enfermidade. Portanto, caso você esteja atravessando uma tempestade avassaladora, lembre-se que isso não significa que você está em pecado ou mesmo está fora da vontade de Deus.


3 – A cura é um ato da soberania de Deus
A Bíblia registra alguns eventos onde Jesus curou todos, absolutamente todos que foram ao seu encontro (ver Mt 4:24; 8:16; Mc 1:32; Lc 6:18-19). Entretanto, a Bíblia também faz menção de alguns episódios onde Jesus curou um único indivíduo em detrimento de uma enorme multidão de enfermos que o cercava (ver Jo 5:1-9). Em alguns casos a cura aconteceu mediante a fé daquele que desejava a cura (At 14:9), em outros casos na ausência dela (Mc 9:24).
Conquanto Deus utilize homens para promover a cura, somente Ele pode curar alguém. Assim, figuras contemporâneas em nosso meio tais como “curandeiros” ou mesmo orações poderosas não existem. O que existe é a graça de Deus fluindo através de um homem que é um mero instrumento nas mãos do SENHOR. O apóstolo Paulo já havia pontuado: “Assim, não depende de quem quer ou de quem corre, mas de usar Deus a sua misericórdia” (Rm 9:16).
Esses quatro homens eram referenciais de vida e fé na comunidade cristã primitiva. Inúmeros milagres aconteceram através das mãos deles. Diversos enfermos foram curados através de seus ministérios. Mas no dia em que eles eram carentes de cura, não foram agraciados porque a cura é um ato da soberania de Deus e não estava nos planos do Eterno cura-los.


4 – Há um propósito divino em nossa enfermidade

Essa é uma doutrina que devemos nos agarrar com todas as forças. Na vida do cristão não existem casualidades. Quando o assunto é doença, nossa tendência é associar a enfermidade ao juízo de Deus. Imaginamos que a doença é algo contra nós é não a favor de nós. Achamos que Deus está trabalhando contra nós, quando na verdade Deus está trabalhando por nós.
O apóstolo Paulo nos garante que “todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito” (Rm 8:28). Não há nada que escape aos desígnios de Deus. Por isso, é importante lembrar-nos que SEMPRE há um propósito divino em nossa enfermidade.
A doença tem um efeito pedagógico. Os maiores ensinamentos não aconteceram em dias de prosperidade e saúde, mas em dias de dor e sofrimento. O grande pregador batista Charles Haddon Spurgeon afirmou que “só há uma benção maior do que a saúde: a enfermidade. Pois a enfermidade tem sido um instrumento poderoso para aperfeiçoar o servo de Deus”. Nenhum sofrimento é em vão. Todos eles obedecem aos decretos de Deus.
O apóstolo Paulo tinha pleno discernimento que suas cadeias, embora humanamente insuportáveis, estavam em concordância com os propósitos de Deus. Ele afirma: “Quero ainda, irmãos, cientificar-vos de que as cousas que me aconteceram têm, antes, contribuído para o progresso do Evangelho; de maneira que as minhas cadeias, em Cristo, se tornaram conhecidas de toda a guarda pretoriana e de todos os demais; e a maioria dos irmãos, estimulados no Senhor por minhas algemas, ousam falar com mais desassombro a Palavra de Deus” (Fp 1:12,13).
Portanto, refugie-se na Soberania de Deus e descanse sob a promessa de que as coisas que te aconteceram estão contribuindo para estabelecer os planos de Deus em sua vida.


5 – Deus nos conforta nas nossas enfermidades

Sempre quando oramos por cura esperamos receber o pleito de nossa petição. Entretanto, nem sempre Deus irá nos responder de acordo com nossas expectativas. No caso do apóstolo Paulo, a resposta que veio de Deus não era a que ele esperava nem a que ele queria, mas a que ele precisava (2 Co 12:9).
Muitas vezes, Deus não vai remover o sofrimento. Muitas vezes, Deus não irá curar. Não porque Ele não queira e nem você mereça. Mas, antes, porque aquela enfermidade obedecem aos seus propósitos. Contudo, uma certeza todos nós devemos ter: o SENHOR irá nos conceder conforto para suportar e condições para seguir.
Não estamos sozinhos em nossas batalhas. Ele prometeu estar conosco todos os dias, até a consumação dos séculos (Mt 28:20).


6 – A Suficiência da graça de Deus

Deus não deu a Paulo o que ele pediu, Deus deu a ele algo melhor – a graça (v. 9). O salmista declarou que “a tua graça é melhor do que a vida” (Sl 63:3). O Rev. Hernandes diz que a “Graça é a provisão de Deus para cada uma das nossas necessidades”.
No sepultamento do Pr. Gerson (Primeira Igreja Batista de Sobradinho), sua esposa disse: “eu não vou agüentar, eu não vou conseguir”. A sua mãe, que também havia passado pela viuvez, replicou: “Você vai ver, Deus vai te dar forças todos os dias”. A graça de Deus é a provisão diária para nossas carências e deficiências.
Diante da enfermidade, não permita que a sua fé sucumba, mas descanse na maravilhosa provisão da graça de Deus. A graça do SENHOR é suficiente em nossa vida. Estes quatro homens não obtiveram aquilo que pediram, mas receberam de Deus algo mais precioso. Receberam a superabundante graça de Deus!


Rev. Daniel Sampaio Mota

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Como vencer a ansiedade

Como vencer a ansiedade
Filipenses 4:4-13

INTRODUÇÃO
Ansiedade é a doença do século. A ansiedade atinge ricos e pobres, doutores e analfabetos, crianças e idosos, crentes e incrédulos. Muitas pessoas estão acorrentadas pela ansiedade. A ansiedade rouba a nossa paz, furta a nossa confiança em Deus e embaça os nossos olhos espirituais.
Sigmund Freud, pai da Psicanálise, afirma que a ansiedade é mãe de todas as neuroses. Segundo o dicionário Aurélio, ansiedade significa: “Estado afetivo em que há o sentimento de insegurança”. Ansiedade é sofrer por antecipação. Originalmente, no grego, a palavra Ansiedade significa ESTRANGULAMENTO, apertar o pescoço, sufocar e tirar o oxigênio.
Os psicólogos e conselheiros cristãos falam da ansiedade como um dos problemas mais urgentes de nossos dias. É a emoção oficial de nossa época (COLLINS, 1984, p. 51). Ilustração: a mulher que arrancou dois seios com medo de desenvolver câncer de mama.
A ansiedade é fruto direto da preocupação (pré-ocupação: é preocupar-se antes do problema chegar). Está ligado com nossos dilemas frente a um futuro incerto. Jovens e adolescentes vivem um quadro crônico de ansiedade diante de decisões a serem tomadas: Vestibular, concurso público, casamento, etc.
O maior perigo da ansiedade é a precipitação. Hoje, o maior conflito existente no Oriente Médio (guerra entre árabes e judeus) é o desdobramento direto de uma decisão que foi tomada precipitadamente por um coração tomado pela ansiedade. Abraão havia recebido de Deus uma promessa que seria pai de uma grande nação. Contudo, diante da aparente demora no cumprimento da promessa, ele e sua esposa, Sara, resolveram alugar a barriga da criada Hagar. Abraão deitou-se com Hagar e esta veio a conceber Ismael (pai do povo árabe). Depois Deus cumpriu sua promessa visitando o casal Abraão e Sara, dando-lhes um filho legítimo, Isaque.
Diante de um quadro de ansiedade aguda, os psicólogos receitam ansiolíticos. São remédios cujo objetivo é diminuir o grau da ansiedade. Nesta noite você será medicado, entretanto, o seu receituário, o seu ansiolítico está expresso não em uma bula de remédios ou numa prescrição médica. Hoje você aprenderá a vencer a ansiedade a partir de uma reflexão da Palavra de Deus.

Qual o remédio para a ansiedade?
Como Paulo nos aconselha a vencer a ansiedade?
Ele não diz assim: “Parem de se preocupar”. Ele não diz isso pela simples razão que é inútil dizer a uma pessoa nessa condição que pare de se preocupar. Seria como dizer a uma pessoa que tem uma dívida muito alta e simplesmente não tem como pagar: “Fique tranquila!”. A pessoa iria responder: ‘Você está me mandando ficar tranqüila porque não é você que está devendo!”. Seria como dizer a um alcoólatra inveterado que pare de beber. Ele simplesmente não consegue, porque é prisioneiro desse vício.
Temos aqui o que podemos chamar de uma Psicologia bíblica.

1 – Orar (v. 6)
Paulo usa três expressões que retratam a oração, sendo elas:
  • Oração – Originalmente tem um sentido de adoração e louvor. Antes de pedir qualquer coisa para Deus, ore, louve e adore. Entre na presença de Deus, na Sala do Trono, no Santo dos santos. Tome consciência da grandeza de Deus, da presença do SENHOR, da Sua majestade.
  • Súplica – Somente depois de adorar e louvar, apresentamos a Ele nossa súplica. Aqui, apresenta-se diante de Deus questões particulares e específicas.
  • Ações de Graça – Aqui existe uma diferença substancial entre Ações de Graça e Adoração. Nós adoramos a Deus pelo que Ele é, e damos graças pelo que Ele faz. Portanto, o convite do apóstolo Paulo é agradecermos a Deus por aquilo que Ele já realizou na nossa vida.

Quando agimos assim, a Bíblia diz que “a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará o vosso coração e a vossa mente em Cristo Jesus” (v. 7). A expressão “guardará o vosso coração” remete a um conceito militar. Literalmente, significa, “porá um guarda ou sentinela no vosso coração”. Paulo diz que a ansiedade dá lugar à paz de Deus.


2 – Trocar a preocupação pela meditação (v. 8)

O apóstolo Paulo nos convida a trocarmos pensamentos que nos afligem por pensamentos que alimentam a nossa fé. Ele nos convida a meditar naquilo que apazigua o nosso coração.

O Salmo 3 e 4 foram compostos por Davi quando ele passou as maiores tribulações da sua vida. No Salmo 3 ele estava no deserto fugindo do seu próprio filho. No Salmo 4 ele também estava no deserto, mas, desta vez, fugindo de Saul. O que me chama a atenção nestes dois salmos é repetição de um versículo: “Deito-me e pego no sono” (Sl 3:5) e “Em paz me deito e logo pego no sono” (Sl 4:8). Daí surge a seguinte ponderação: numa situação como esta todos nós seríamos capazes de deitar, mas pouquíssimos conseguiriam dormir. Isso porque o nosso corpo repousa, mas nosso coração e nossa mente simplesmente não desliga. Como alguém que está vivendo debaixo de tanto opressão e perseguição consegue deitar e logo dormir? Somente alguém cuja fé está alicerçada na fidelidade de Deus. Alguém que não é dominado pela ansiedade, mas está com o coração confiante no SENHOR.


3 – Praticar o ensino da Palavra de Deus (v. 9)

Não devemos ficar apenas na contemplação, mas, antes, fazer com que os conceitos se tornem uma prática do nosso dia-a-dia. A grande verdade é que nossa fé é puramente conceitual. Nós professamos crer em Deus, mas na prática agimos como se não crêssemos. O perigo de muitos pastores e teólogos, segundo Lloyd-Jones, é passar tempo demais lendo a respeito dEle e se esquecendo de se relacionar com Ele[1].

Há uma verdade que precisamos aprender desesperadamente: “Deus cuida de nós!”. Deixa Deus cuidar da sua vida! Lutero tinha uma expressão que parecia um tanto quanto redundante, mas que carrega uma força bombástica. Dizia o reformador para os seus paroquianos: “Deixa Deus ser Deus!”


4 – Contentar-se (v. 11-12)

Paulo afirma que a antídoto para vencer a ansiedade produzida pelos nossos desejos, é o contentamento. A insatisfação é a marca da nossa geração. Nós somos insatisfeitos por natureza. A insatisfação nos leva à murmuração. Lloyd-Jones diz que quando Paulo escreveu essas palavras estava na prisão, provavelmente acorrentado a um soldado à sua direita e outro à sua esquerda[2].

Existem situações na sua vida que você simplesmente não pode mudar, portanto, aprenda a viver contente. Eu, por exemplo, queria ser mais alto, mais forte, ter mais cabelos, ter um poste físico mais robusto e, quem sabe, ter olhos claros..., mas não, sou baixo, nordestino, gordinho, vou ficar careca e preciso viver feliz com isso.

Precisamos tomar uma decisão: “Não vou reclamar do que eu não tenho”. Há muitas coisas que nós não temos e gostaríamos de ter. E também há muitas coisas que nós olhamos para o outro e dissemos: “Por que esse miserável tem isso e não tenho”. Tem gente que não olha para aquilo que Deus lhe deu, mas fica olhando para o que Deus deu ao outro. E há muitas coisas que Deus já nos deu e nós jogamos fora.

Se fizermos uma análise sincera em nossa vidas veremos que temos muito mais do que aquilo que realmente precisamos. Lloyd-Jones diz que essa passagem diz que nossa suficiência é o SENHOR. Permitam-me usar uma pessoa como exemplo: D. Isolina. Essa irmã já passou e passa por grandes provações na vida. Entretanto, há sempre um sorriso em seus lábios. Quando pergunto a ela: “D. Isolina, está tudo bem?” ela responde: “Oh, pastor não está bom não..., mas vai ficar”.


CONCLUSÃO

Comentando o texto de Filipenses 4:6-7, Lloy-Jones introduz seu sermão com essas palavras: "Esta é, sem dúvida, uma das declarações mais nobres e mais consoladoras que pode ser encontrada em qualquer peça literária já escrita. Somos tentados a dizer isso a respeito de muitas passagens das Escrituras, porém do ponto de vista de nossa vida pessoal neste mundo, e do ponto de vista da experiência prática, não há declaração que ofereça mais conforto para o povo de Deus, do que estes dois versículos"[3].

O Hino n. 108 (Hinário Novo Cântico), escrito H. G. Spafford, fala sobre a felicidade em Jesus. Entretanto, há algo precisamos saber a respeito deste hino. O homem que escreveu esse hino, o compôs após perder toda sua família num naufrágio. Trata-se de um exemplo vivo de que podemos vencer toda e qualquer situação e continuarmos servindo ao SENHOR com alegria.

Rev. Daniel Sampaio Mota

[1] JONES. D. M. Lloyd. Depressão Espiritual. Editora PES, São Paulo: 1996, p. 246.
[2] JONES. D. M. Lloyd. Depressão Espiritual. Editora PES, São Paulo: 1996, p. 242.
[3] JONES. D. M. Lloyd. Depressão Espiritual. Editora PES, São Paulo: 1996, p. 226

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

À espera de um milagre

À espera de um milagre
João 5:1-14


Introdução

Quero tomar emprestado como título deste sermão o filme protagonizado por Tom Hanks que conta a história de um homem condenado injustamente que está no corredor da morte aguardando a execução. O nome do Filme é À Espera de um Milagre. Semelhantemente, a luz do texto de João capítulo 5, encontramos um homem que também está à espera de um milagre. Embora não esteja no corredor da morte, este paralítico está condenado a passar o resto dos seus dias nessa condição.
O evento de João 5 tem como cenário o Tanque de Betesda. O próprio texto afirma que “Nestes, jazia uma multidão de enfermos, cegos, coxos, paralíticos esperando que se movesse a água. Porquanto um anjo descia em certo tempo, agitando-a; e o primeiro que entrava no tanque, uma vez agitada a água, sarava de qualquer doença que tivesse” (v. 3-4). A crença na descida de um anjo gerou expectativa em muitos enfermos, provocando assim um ajuntamento de pessoas que estavam desenganadas pela medicina e aguardavam unicamente uma intervenção divina para solução de seus problemas. Todas essas pessoas estavam à espera de um milagre.
Entretanto, a Bíblia diz que Jesus desce ao encontro de um homem. Senão, vejamos:

Quem é esse homem?
1 – Um colecionador de fracassos
Estamos diante de um homem que sabe exatamente o significado da palavra fracasso. São 38 anos de tentativas frustradas. São 38 anos de experiências negativas. O histórico desse homem está marcado por decepções. Há 38 anos esse homem vê pessoas sendo curadas, mas ele não alcança a cura. Há 38 anos ele testemunha outras pessoas sendo beneficiadas pelo agito das águas, mas ele mesmo ainda está a esperar.
Muitas pessoas se encontram nessa mesma condição. Estão há tanto tempo esperando um milagre de Deus em suas vidas. Já ouviram tantos relatos e testemunhos de pessoas que foram abençoadas, mas simplesmente parece não chegar a sua vez de experimentar na sua própria vida aquilo que evidencia na vida de outras pessoas.

2 – Alguém abandonado.
Quando Jesus lhe dirige a seguinte pergunta: “Queres ser curado?” (v. 6) ele prontamente responde: “Não tenho ninguém...”(v. 7). Esse homem expressa sua realidade de abandono. Abandonado pela família. Abandonado pelos amigos. Abandonado pela sociedade. Abandonado pelo Estado. Não há nada mais terrível do que o sentimento do abandono.
Pior do atravessar uma doença é atravessar uma doença sozinho. Pior do que estar no hospital, é estar no hospital sozinho. Não ter ninguém ao seu lado. Ele não contava com a solidariedade de ninguém. Em nome da fé pode-se criar um ambiente de competição, estresse, disputa e tensão. Naquele lugar, todos eram adversários, querendo um milagre. Havia uma concorrência em busca de milagres.

3 – Alguém que carrega um sentimento culpa (v. 14).
Não há consenso entre os comentaristas, mas o fato é que o verso 14 traduz uma idéia de que sua condição de paralisia se deu como conseqüência direta do seu pecado. Jesus advertiu-o, dizendo: “Olha que já estás curado; não peques mais, para que não te suceda cousa pior” (v. 14). A Idéia que o texto passa é que ele estava naquela condição em função do seu pecado. Se essa interpretação for verdadeira, com certeza esse homem carrega um enorme sentimento de culpa. Afinal, seus próprios caminhos o conduziram a uma vida de enfermidade.

Qual a reação de Jesus?
1 – Enquanto todos vão à Jerusalém em direção à festa, Jesus se dirige ao Hospital da cidade (v. 1-2).
O texto é categórico ao afirmar que havia uma grande festa em Jerusalém. Possivelmente a Páscoa ou a Festa dos Tabernáculos (celebrações responsáveis por grandes ajuntamentos em Jerusalém). Contudo, enquanto todos se dirigem ao banquete, Jesus vai em direção dos aflitos. Jesus disse: “os são não precisam de médicos, e sim os doentes” (Mt 9:12). Portanto, se você é alguém enfermo, doente, alguém que está a espera de um milagre..., você está no lugar certo.
Você está em Betesda! A palavra Betesda significa Casa de Misericórdia. Aqui não apenas os anjos descem para mover as águas, mas o próprio Cristo se faz presente para curar o seu povo. Jesus se dirige a um lugar onde havia uma multidão de doentes. Havia doentes de todas espécies. Um aglomerado de pessoas enfermas. Todas em busca do mesmo objetivo: ser curado! O que atraía as pessoas para aquele lugar era a expectativa de saírem dali curadas.

2 – Jesus está diante de uma multidão, mas vai em busca de um único homem.
Isso é simplesmente impressionante! Vemos aqui o valor de um indivíduo para Deus. Esse texto declara que Deus te vê no meio da multidão. Para Deus, você não é apenas mais um. Jesus moda todo o seu itinerário para encontrar-se com um único homem. Parafraseando o rabino Abraham Heschel: “a grande diferença entre o cristianismo e todas as outras religiões do mundo é exatamente esta: nas outras religiões o homem está tentando desesperadamente buscar Deus, enquanto no Cristianismo, o homem está terrivelmente perdido e, por isso, Deus vai em busca do homem para salvá-lo”.
Jesus vai em busca daquele homem:
2.1 - Jesus vê (v. 6). No meio daquela multidão, os olhos de Jesus alcançam aquele homem. O profeta Isaías já sinalizava sobre o olhar misericordioso de Deus “Porque a minha mão fez todas estas cousas, e todas vieram a existir, diz o SENHOR, mas o homem para quem olharei é este: o aflito e abatido de espírito e que treme da minha palavra” (Isaías 66:2).

2.2 – Jesus sabe (v. 6). Essa expressão revela a onisciência de Deus. Servimos a um Deus que sabe e conhece todas as coisas. Jesus conhecia o histórico daquele homem, bem como seu drama e sua dificuldade em alcançar um milagre. Não há nada que escape ou fuja do seu controle.

3 – A intrigante pergunta de Jesus
“Queres ser curado?”. Parece meio fora de ordem essa pergunta de Jesus. Evidentemente, se aquele homem estava ali é porque alimentava em seu coração a expectativa de ser curado. Essa pergunta, basicamente, foi a mesma pergunta que Jesus fez ao cego Bartimeu: “Que queres que eu te faça?” (Lc 18:41). Obviamente, Bartimeu estava a procura da restauração da sua visão. Entretanto, parece-me muito claro que Jesus desejava ouvir a confissão por parte deles.
A confissão é algo muito importante na vida cristã. Devemos confessar ao SENHOR não apenas nossas faltas e pecados, como também nossas limitações e, sobretudo, nossa total dependência da graça dEle em nós. Após confessar diante de Jesus sua condição e real necessidade, o paralítico de Betesda finalmente, após 38 anos de espera, alcança um milagre. Contudo, dessa vez um anjo não desceu do céu para agitar a água; foi o próprio Deus quem desceu do seu trono de glória para encontrar-se com ele.


Rev. Daniel Sampaio Mota

Como passar pelas provações da vida

Como passar pelas provações da vida
Gn 22:1-19


Introdução

Os heróis da bíblia são homens que foram além dos seus limites. Homes que se superaram, homens que estavam acima da média. Homens ousados, intrépidos e corajosos que marcaram a história. Eram homens comuns, mas invencíveis. Gente que decidiu fazer a diferença no mundo.
Diante da vida existem dois tipos de pessoas: aqueles que simplesmente passam pela vida e aqueles que dizem o porquê estão passando por ela. Que tipo de pessoa você é? Aquela que passa pela vida ou aquele que quer deixar suas pegadas registradas na história da humanidade?
Recordo-me do evento registrado por Philip Yancey concernente a Martin Luther King Jr. Na véspera de seu vigésimo oitavo aniversário, King estava no púlpito de uma Igreja de Montgomery, no Alabama. Sua casa fora incendiada e ele andava dormindo pouco, ansioso por causa das recentes ameaças de morte. King começou a orar em público: “Senhor, espero que ninguém tenha de morrer por causa da nossa luta pela liberdade. Certamente, não quero morrer. Mas, se alguém tiver de morrer, que seja eu”. Eis a estatura espiritual desse homem! Ele ora e se apresenta como resposta de oração.
Há ainda um homem de nossos dias a quem devo mencionar: Missionário Ronaldo Lindório. Certa vez, lendo uma de suas cartas com relatos do campo missionário, ele finalizou seu relatório com a seguinte oração: “Senhor, ensina-nos a gastar os nossos dias naquilo que realmente vale a pena”. A profundidade dessa oração revela a grandiosidade da obra desempenhada por esse missionário.
Alguém já comparou a vida cristã a uma escola, onde todos nós fomos matriculados. O objetivo dessa escola é promover crescimento, conhecimento, mudança e transformação. Contudo, há algo na escola que serve para testar o nível de conhecimento e maturidade acerca daquilo que aprendemos: A PROVA. Na aplicação da prova o professor saberá exatamente qual aluno levou a sério aquilo que aprendeu ou aquele que levou na brincadeira.
Duas coisas podem acontecer após a realização de uma prova: aprovação (apto) e reprovação (inapto). O que tem de crente bombando na escola de Deus. O que tem de crente repetente, com dependência na escola de Deus. Todas as vezes que reprovamos numa matéria devemos fazê-la outra vez. É por isso que existem inúmeras pessoas que estão simplesmente estacionadas na fé. Não conseguem avançar porque estão em constante reprovação.
Muitas pessoas são chamadas por Deus, mas poucas são aprovadas por Deus. Jesus disse que muitos são chamados, mas poucos escolhidos. Saul foi chamado, mas foi reprovado por Deus. Judas foi chamado, mas foi reprovado. Ser aprovado por Deus é mais importante do que ser chamado por Ele.
Aos 75 anos de idade Abraão foi matriculado na escola da fé. Agora, depois dos 100 anos ele ainda está enfrentando provas e desafios na vida. Você nunca é velho demais para enfrentar novos desafios. “Quando nós paramos de aprender, nós paramos de crescer; e quando nós paramos de crescer, nós paramos de viver” (Rev. Hernandes Dias Lopes).
Gênesis 22 nos mostra a maior de todas as provas que Abraão enfrentou. Senão vejamos:

1 – A provação provinha de Deus
“...pôs Deus Abraão à prova...” (v. 1). Não há dúvidas no texto de que DEUS intentava uma prova com Abraão. Essa provação tinha uma origem bem definida: Deus. Essa provação tinha um destinatário certo: Abraão.
É preciso, entretanto, que tracemos uma diferenciação entre provação e tentação. As tentações vem dos desejos pecaminosos que estão dentro de nós (Tg 1:12-16), enquanto as provações vem do SENHOR. As tentações são usadas pelo diabo para arrancar o pior que está em nós; as provações são usadas por Deus para levar-nos ao melhor.

2 – A ausência de explicações
O que mais aflige o servo de Deus é falta de explicações racionais para as provações. O pedido de Deus para Abraão, aparentemente, parecia algo absolutamente absurdo. Estaria Deus contradizendo as suas promessas? Como Deus pode pedir para eu sacrificar o filho que Ele mesmo disse que seria o herdeiro da promessa?
Não havia uma explicação racional. E isso é surpreendente, porque Abraão não ficou em busca de explicações, ele prontamente obedeceu. Quando Deus mandar você sentar não fica procurando cadeira; senta logo.
“Levantou-se, pois, Abraão de madrugada e, tendo preparado o seu jumento, tomou consigo dois dos seus sevos e a Isaque, seu filho; rachou lenha para o holocausto e foi para o lugar que Deus lhe havia indicado” (v. 3)

3 – A solidão na provação
Há dois fatos que nos chama atenção na trajetória do patriarca rumo ao Moriá. Primeiro, Abraão não comunica nada a Sara, sua esposa. Isso se deve porque, possivelmente, Sara não concordaria com idéia absurda de oferecer seu filho como sacrifício ao SENHOR. Fato este que o levou a sair de madrugada.
Outro ponto que merece destaque relaciona-se a caminhada propriamente dita rumo ao monte. Diz o texto explicitamente que Abraão prosseguiu sozinho, despedindo os seus servos (v. 5). Na caminha cristã nós temos o apoio da família, dos amigos e dos irmãos, mas há momentos em que teremos que subir o monte sozinho. Haverá ocasiões na sua vida em que não haverá ninguém. É você e Deus. É o seu Moriá. É a sua provação.

4 – O silêncio na provação
Deus fala apenas duas vezes nessa história: no começo e no fim. Isso significa dizer que durante toda a caminha de Abraão até o Moriá, Deus permaneceu em silêncio. O próprio Abrão diz poucas palavras. O silêncio ensurdecedor é quebrado com a inquietante pergunta de Isaque: “Pai, Onde está o cordeiro para o holocausto” (v. 7). Aquela, com certeza, foi uma pergunta que atingiu o coração de Abraão.
O silêncio de Deus é a crise de muitos cristãos. A angústia é algo que assola nosso coração quando não encontramos justificativas plausíveis para eventos que ocorrem nas nossas vidas. Entretanto, a Bíblia diz que “Abraão, esperando contra a esperança, creu, para vir a ser pai de muitas nações, segundo lhe fora dito: Assim será a tua descendência” (Rm 4:18).

4 – A provação e a obediência
Não existem casualidades na vida do cristão. Na verdade, tudo que nos ocorre obedece a uma ordenança divina. O próprio apóstolo Paulo afirma que “todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo seu propósito” (Rm 8:28). Sendo assim, podemos concluir que até mesmo os momentos de dor são usado por Deus para aperfeiçoar-nos.
Moisés, depois de peregrinar 40 anos no deserto junto com o povo, deu uma justificativa da caminhada prolongada rumo á Terra Prometida: “Recordar-te-ás de todo o caminho pelo qual o SENHOR, teu Deus, te guiou no deserto estes quarenta anos, para te humilhar, para te provar, para saber o que estava no teu coração, se guardarias ou não os seus mandamentos” (Deut. 8:2).

COMO SER APROVADO POR DEUS?
1 – Obediência Incondicional
Nem sempre teremos resposta para todas as perguntas. Nem sempre teremos todas as nossas petições atendidas por Deus. Não devemos estabelecer para com Deus uma relação de barganha, onde a obediência a Ele esteja condicionada às suas bênçãos. Pelo contrário, devemos servi-lo simplesmente pelo que Ele é: Deus. Ouvi certa vez um pregado afirmar categoricamente: “Deus é Deus é nada menos; o homem é homem e nada mais”. Deus está a procura de servos que o obedecem incondicionalmente. Homens que se submetam integralmente ao senhorio de Cristo.
O profeta Samuel diz: “Eis que o obedecer é melhor do que o sacrificar” (1 Sm 15:22). Deus nunca nos dará daquilo que não sejamos capazes de devolver a Ele. Quando Abraão subiu ao Monte Moriá ele o fez num ato de obediência. Não havia justificativas da parte de Deus. Não havia explicação racional que justificasse tal pedido. Entretanto, Abraão se lança incondicionalmente a vontade revelada de Deus.
Soren Kierkegaard, pensador cristão, afirma que a fé mais pura nasce exatamente no meio da provação .

2 - Transforme suas provações em momentos de adoração (v. 5)
A provação de Deus nunca vem com o propósito de nos derrubar, mas para nos fortalecer. A convicção do patriarca estava fundamentada em Deus e nas suas promessas. Veja o que disse Abraão: “Então, disse a seus servos: Esperai aqui, com o jumento; eu e o rapaz iremos até lá e, havendo adorado, voltaremos para junto de vós” (v. 5). Abraão transforma o momento de provação num culto ao SENHOR. O Monte da Provação foi transformado num Monte de Adoração.
As palavras de Abraão expressam sua confiança total no SENHOR. Ele diz: “eu e o rapaz iremos até lá e, havendo adorado, voltaremos para junto de vós” (v. 5). Abraão cria que não desceria do monte sozinho. Sua fé era suficientemente plena para crer que seu filho voltaria com ele.

3 – Dependa totalmente da provisão de Deus (v. 8)
É exatamente no meio da provação que Deus se revela de maneira extraordinária. Neste episódio foi cunhado mais um nome que carregava em si um atributo de Deus: Jeová-Jiré (Deus Provedor).
Aqui surge uma pergunta: Onde e como o SENHOR provê as nossas necessidades?
1. Quando estamos no lugar em que Ele mandou que estivéssemos (v. 3). O texto diz que Deus havia designado explicitamente para Abraão o lugar do sacrifício. Portanto, Abraão estava exatamente no lugar onde Deus havia determinado.
2. Quando estamos fazendo aquilo que mandou que fizéssemos (v. 10). A provisão chegou quando Abraão levantou sua mão para sacrificar o menino. A provisão de Deus veio no momento em que Abraão estava fazendo aquilo que Deus o havia mandado fazer.
A estrada da obediência é a porta da provisão. Não espere a provisão de Deus se você não está no centro da sua vontade. Não espera a provisão de Deus se você está em desobediência.

Que tipo de aluno você tem sido? Você tem sido aprovado ou reprovado por Deus?



CONCLUSÃO
A história de Abraão com seu filho narra a nossa biografia. É impossível ler esse texto sem fazer uma ponte hermenêutica com o sacrifício vicário de Jesus. A semelhança entre o sacrifício de Isaque e o sacrifício de Jesus é notória. Senão, vejamos:
1 - Isaque é a figura de Yeshua. Ele caminhou, por três dias, para o holocausto, assim como Yeshua ficou três dias entre sua morte e ressurreição para salvar a humanidade. Isaque levava a lenha nas costas como um sinal da cruz, apontando para o Calvário.
2 – Isaque foi gerado de forma miraculosa, assim como Cristo.
3 – Isaque, como Cristo, foi o centro dos planos de seu pai.
4 – A morte de Isaque seria um grande sacrifício para Abraão, assim como Deus demonstrou Seu grande amor quando deu Seu Filho [João 3:16; Romanos 8:32].
5 – Isaque foi oferecido por seu pai, como Cristo foi também.
6 – O Senhor Jesus carregou Sua cruz, assim como Isaque carregou a lenha.
7 – Isaque, como mancebo, poderia ter resistido ao seu pai. Nisto ele foi uma figura da disposição de Cristo em Se submeter aos planos do Pai [Isaías 53:7; Lucas 22:42].
8 – O livramento de Isaque é uma figura da ressurreição [Hebreus 11:19].

A história de Abraão preconiza a história da redenção. O amor desprendido do pai Abraão em ofertar seu único filho simboliza o amor de Deus em entregar seu único filho para salvação do homem. Como disse Agostinho: Deus ama cada um de nós como se houvesse apenas um para amar .
O grande missionário Hudson Taylor colocou na porta da sua casa: EBENEZER E JEOVA-JIRÉH – Quando olha para trás, vê a mão de Deus. Quando olha para frente, vê a promessa de Deus, portanto não precisa temer!
O Monte Moriá se tornou um dos locais mais importantes na história da nação de Israel. Mil anos depois, é exatamente nesse lugar que Salomão vai construir o grande Templo. A provação forjou Abraão como um dos maiores homens da história da humanidade.


Rev. Daniel Sampaio Mota

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

As qualidades de um pai aprovado por Deus

As qualidades de um pai aprovado por Deus
Jó 1:5

Introdução

Jonathan Edwards foi um pastor puritano usado no primeiro grande despertamento. Pregou o sermão que ficou mundialmente conhecido como "Pecadores nas mãos de um Deus irado". Como pregador foi insulperável e como pastor, tornou-se um ícone para as futuras gerações. Os historiadores modernos dizem que Edwards tinha luz na mente e fogo no coração, conjugava unção e sabedoria.
Contudo, em nenhuma área Edwards foi mais bem sucedido do que em seu papel como pai. Edwards e sua esposa Sarah tiveram onze filhos. Apesar de um horário de trabalho rigoroso que incluía acordar às 4:30 da manhã ler e escrever em sua biblioteca, viagens extensas, e reuniões administrativas infinitas, ele fazia questão de dedicar muito de seu tempo aos seus filhos.

Apesar de sua vida agitada, Edwards se comprometeu a passar pelo menos uma hora por dia com eles, principalmente lhes ensinando princípios cristãos. E se ele perdesse um dia porque estava viajando, acumularia essas horas e as passaria com os filhos quando voltasse.

Recentemente, o estudante Benjamim B. Warfield de Princeton encontrou, depois de muitas pesquisas, 1.394 descendentes conhecidos de Edwards. E nessa pesquisa podemos constatar o maravilhoso legado que Edwards deixou aos seus descendentes através de sua vida cristã. Dos 1.394 descendentes de Edwards:
· 3 se tornaram presidentes de universidades,
· 3 senadores dos Estados Unidos
· 30 juizes
· 100 advogados
· 60 médicos
· 65 professores de universidades
· 75 oficiais de exército e marinha
· 100 pregadores e missionários
· 60 escritores de destaque
· 1 vice-presidente dos Estados Unidos
· 80 altos funcionários públicos,
· 250 formados em universidades, entre eles governadores de Estados e diplomatas enviados a outros países.

Os descendentes de Jonathan Edwards não custaram ao Estado um dólar.
Por outro lado, Benjamim B. Warfield também pesquisou a vida de Max Jukes, um famoso ateu, contemporâneo a Edwards, o qual freqüentemente atacava os discursos, a ideologia e as pregações de Edwards. Max Jukes, o ateu, viveu uma vida ímpia, casou-se com uma jovem ímpia, e também deixou um legado para seus descendentes, da descendência dessa união entre Jukes e sua esposa, pesquisada por Benjamim, constatou-se que de todos seus descendentes encontrados:
· 310 morreram como indigentes.
· 150 foram criminosos, sendo 78 assassinos
· 100 eram alcoólatras
· Mais da metade das mulheres, prostitutas
· Os 540 descendentes de Jukes custaram ao Estado 1.250.000 dólares.

A história de Jonathan Edwards é um exemplo do que alguns sociólogos chamam a "regra das cinco gerações." Como um pai cria seus filhos e o amor que eles dão, os valores que ensinam, o ambiente emocional que oferecem, a educação que provêem, não só influencia seus filhos, mas as quatro gerações seguintes. Em outras palavras, o que os pais fazem pelos seus filhos permanecerá pelas próximas cinco gerações.

Mas a teoria das cinco gerações trabalha de ambos os modos. Se não nos esforçarmos para sermos bons pais e transmitirmos princípios cristãos, nossa negligência pode infestar gerações. Considere o caso de Max Jukes. Max Jukes teve problemas com a bebida, que o impediu de manter um trabalho fixo. Também o impediu de demonstrar muita preocupação pela esposa e os filhos.

As histórias de Jonathan Edwards e Max Jukes oferecem lições poderosas sobre o legado que nós deixaremos como pais. Daqui a cinco gerações é bem provável que as nossas realizações profissionais serão esquecidas. Na realidade, nossos descendentes podem pouco saber sobre nós ou nossas vidas. Mas o modo como somos pais hoje e princípios que transmitimos afetarão diretamente não só nossos filhos, mas também nossos netos, bisnetos e as gerações que se seguem.

Como dizia Edwards: Deus fez todas as coisas com um propósito, e Deus também tem um propósito para todos nós, Nenhum homem vive em vão, todos nós deixaremos um legado. Qual será o seu?
_____________________________________________________________________________________


Hoje é dia dos pais. “A paternidade é a vocação mais sublime que um homem pode exercer” (Rev. Hernandes Dias Lopes). A relação pai e filho é algo tão forte nas Escrituras que o último versículo do Antigo Testamento fala que uma das funções básicas do Messias seria “converter o coração dos pais aos filhos e o coração dos filhos aos pais” (Ml 4:6). É triste verificar que grandes homens de Deus foram brilhantes em diversas áreas da vida mas fracassaram como pais. Davi era um homem segundo o coração de Deus, mas um péssimo pai. Eli era um excelente sacerdote, mas não tinha autoridade dentro de sua casa. Samuel era um grande profeta, mas negligente como líder espiritual do seu lar. “Se o nosso cristianismo não é capaz de mudar o nosso relacionamento familiar, ele está falido” (Rev. Hernandes Dias Lopes).
Jó é um dos poucos personagens bíblicos que consegue conciliar espiritualidade com vida familiar. Ele tornou-se um exemplo de perseverança e firmeza, mas em momento algum negligenciou sua função como pai. O livro de Jó fascinou tanto o reformador João Calvino que 159 de seus 700 sermões escritos foram baseados nele[1]. É exatamente nesse livro que encontramos uma das histórias familiares mais dramáticas já vividas na história da humanidade. Jó era um homem extremamente rico, portador de uma reputação invejável. Sua família vivia os mais altos padrões da sua época. Em outras palavras, podemos afirmar que Jó tinha condições de dar aos seus filhos tudo o que o dinheiro poderia comprar.
Por isso, gostaria de convidá-lo a considerar, à luz do texto sagrada de Jó 1:5, quais são As qualidades de um pai aprovado por Deus.
Jó era um pai exemplar. Diz a Bíblia que “Decorrido o turno de dias de seus banquetes, chamava Jó a seus filhos e os santificava; levantava-se de madrugada e oferecia holocaustos segundo o número de todos eles, pois dizia: Talvez tenham pecado os meus filhos e blasfemado contra Deus em seu coração. Assim fazia Jó continuamente” (Jó 1:5, grifos meu). Algumas considerações devem ser feitas.

1 – Um pai preocupado com a vida espiritual de seus filhos
Primeiramente, o texto registra que Jó “chamava seus filhos e os santificava”. Perceba a diferença que faz a liderança espiritual do pai dentro de casa. Isso é um pai de verdade, no sentido estrito da palavra. Jó estava preocupado não apenas com educação de seus filhos; não apenas com a provisão de seus filhos; mas, sobretudo, profundamente preocupado com a vida espiritual de seus filhos. Antes de preocupar-se com a escola do seu filho, que faculdade ele vai fazer, em que área ele vai trabalhar, preocupe-se em ter um filho santo. Faça como Jó: CHAME O SEU FILHO e o SANTIFIQUE. Coloque suas mãos sobre a cabeça dele e consagre-o ao SENHOR.

2 – Um pai intercessor
Em segundo lugar, diz o texto que Jó “levantava-se de madrugada” com o propósito de colocar os seus filhos diante do altar. Eis aqui a figura de um pai intercessor. Qual foi a última vez que você orou por seus filhos de madrugada? Jó, além de ter um momento de oração com os filhos, tinha também um momento secreto onde ele, sozinho, apresentava seus filhos a Deus. O texto ainda registra que “oferecia holocaustos segundo o número de todos eles”, ou seja, não havia um filho sequer que Jó deixasse de orar. Não havia predileções. Jó não ponderava se este filho dava mais trabalho do que aquele ou se aquele outro era mais bonzinho e obediente que o primeiro. Definitivamente, não havia este espírito no coração de Jó. Diz o texto que ele apresentava seus filhos individualmente a Deus.
Sempre haverá esperança para família onde houver uma mãe que ora. Sempre haverá esperança para a família onde houver um pai comprometido em interceder por seus filhos. Antes de falar de Deus para nossos filhos, precisamos falar de nossos filhos para Deus.

3 – Um pai perseverante
Em terceiro lugar, podemos destacar a regularidade com que Jó fazia isso. A palavra empregada pelo autor sacro é “continuamente”, dando a idéia de uma prática freqüente e ininterrupta. Jó sempre apresentava seus filhos diante do altar do Senhor. Não desista nunca de orar para o seu filho. Se ele está no mundo ore por ele; se ele já é um servo do SENHOR, continue orando por ele. Ore sempre. Os seus filhos devem ser o primeiro item da sua lista de oração.
Nem sempre é o pai rico que deixa a maior herança. O legado da fé é a maior herança que um pai pode deixar aos seus descendentes.

Rev. Daniel Sampaio Mota
[1] YANCEY, Philip. A Bíblia que Jesus lia. São Paulo: Vida, 2000, p. 47.